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Crescem os incêndios na Amazônia

Estadão Conteúdo
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Brasília - A Amazônia registrou 2.308 focos de incêndio em junho, maior número para o mês desde 2007. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Desde 2019, a gestão Jair Bolsonaro tem sido alvo de críticas no Brasil e no exterior, pelos recordes seguidos destruição. Para combater crimes ambientais, o governo tem apostado em operações militares, mas os registros de perda vegetal continuam altos.

MATO GROSSO

A maior parte das queimadas (66,5%) foi em Mato Grosso, seguido por Pará (18,4%) e Rondônia (5,7%). As terras indígenas da região, que são áreas protegidas, tiveram 110 ocorrências de incêndio. Um terço desses focos foi no Parque do Xingu (MT). Entre as áreas de conservação federais, houve 30 focos. A região mais afetada foi a do Parque Nacional dos Campos Amazônicos (13). Houve 29 registros em unidades de conservação estaduais, principalmente na Área Ambiental da Chapada Maranhense (13).

SEM CHUVAS

Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, diz que a alta de incêndios está ligada, principalmente, a três fatores. O primeiro é o tempo seco que começa a predominar na região e dura até setembro. Há também troncos de árvores caídos no chão, como consequência do desmate, que servem de combustível para o fogo. O terceiro elemento é o próprio fogo, que não costuma surgir espontaneamente neste bioma. "Quem risca o fósforo está confortável porque está protegido pelo presidente. O governo Bolsonaro abriu mão de controlar as queimadas na Amazônia." Astrini critica o enfraquecimento institucional de órgãos ambientais, como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que ainda sofrem com déficit de servidores e de verba. "Ser fiscal do Ibama é profissão de risco. Corre o risco de ser intimidado no campo pelos criminosos ou de receber processo administrativo. Já o madeireiro ou grileiro ilegal está tranquilo porque não há ninguém fiscalizando", diz.

DESMATAMENTO

Uma análise feita por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) mostra que, somadas a mais uma seca intensificada pelo fenômeno La Niña, áreas desmatadas e ainda não queimadas podem aumentar a incidência de queimadas na Amazônia especialmente de julho a setembro deste ano. Divulgado na quarta-feira, o levantamento aponta que há quase 5 mil quilômetros quadrados de área nessas condições. "O pior ano é aquele em que se tem muito desmatamento e muita queimada para limpeza de área aberta.

Ou um ano muito seco. Essa é a combinação para um barril de pólvora muito explosivo. Aparentemente, é o que vai acontecer agora em 2021", diz o pesquisador sênior do Ipam Paulo Moutinho.

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