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Espetacularização do caso

Paulo Neves
| Tempo de leitura: 1 min

Realmente estamos em uma situação terrível, me foge uma palavra melhor. O Lázaro foi morto e o povo soltou fogos, os jornais dedicaram durante 20 dias páginas e páginas para o Lázaro...

Tempo passou rápido, vem o Pedro Bial e entrevista o Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul que se diz gay, aí o povo chora, os jornais abrem páginas e páginas para o fato. Não foi um ato de coragem, foi um ato de marketing do Pedro Bial e da Globo. Vamos rememorar em 31 de março deste ano de pandemia.

Foi publicado em todos os jornais do Brasil o "Chamamento da Democracia". Assinaram esse documento, em favor da democracia, Huck, Amoedo, Ciro, Leite, Mandetta, Doria e aí a TV Globo pensou no Huck, mas este já tinha assinado contrato e vai passar para o domingo o seu Caldeirão.

Pensou no Ciro, mas esse é muito louco; pensou no Amoedo, mas esse é muito fraquinho; pensou no Doria, vamos guardá-lo para a eleição de governador, até lá a pandemia diminuiu; pensou no Mandetta, mas esse não sabe nada; sobrou o Eduardo Leite, branco, conversa bem, fotografa bem, bom moço, governador de um estado conservador - Rio Grande do Sul, agora esse é o indicado para 2022.

Mas quem é Eduardo Leite?

Ele é o governador que bate nos professores, nas passeatas, ele é o governador do agrotóxico, com certeza ele vai ser o Hélio Negrão da Globo.

A 3ª via começa a ser formada. Enquanto isso, temos um país de representatividade vazia, temos um país marcado pela gravíssima desigualdade social, temos um país perdido, um país pandêmico.

Por favor, deixem as câmeras em paz... Por favor, esquerda namastê, vamos à luta!

O autor é professor e diretor de teatro.

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