Como nossa visão de mundo é antagônica, as considerações mútuas não fazem mais sentido. Portanto, essa é minha última intervenção, independente da sequência que você mantenha. Como é fato, nós não comungamos das mesmas ideias e ideais, mas jamais vou me colocar como julgador, deixo esse papel para o tempo e a história! Não tenho um currículo tão primoroso como o seu. Sou apenas filho de uma simples família de imigrantes italianos, ferroviários e professores, que desde 1915 residem em Bauru e ajudaram na construção da cidade.
Na adolescência, tive o privilégio de me formar em Biologia/Unesp e o grande orgulho de me tornar também um professor. Lecionei em escola pública (Sbrissia) e trabalhei por mais de 20 anos junto ao 3º setor, onde coordenei projetos no Instituto Socioambiental; na SOS Mata Atlântica e no Instituto Vidágua. Além disso, sou autor de três livros de ciências naturais e coordenei 21 projetos aprovados por seleção pública junto a fundos nacionais e internacionais como: FEHIDRO; FNMA; Inter-American Foundation/USA e Norwegian Church Aid/Noruega.
Todos esses "carguinhos" que ocupei como biólogo me deram uma experiência de extrema importância! A academia me fez zelar pela veracidade dos dados que divulgo e a vida me deu a mesma resiliência dos povos tradicionais (quilombolas e caiçaras) com quem trabalhei para enfrentar os desafios com coragem e independência. Por isso, meu caro economista, tenho o discernimento e a compreensão sobre a honra de ter sido prefeito da nossa cidade, e o respeito de deixar de ser, pela vontade da população. Consciência tranquila é para poucos!
Não tem nada que desabone a minha conduta frente à prefeitura. Agi sempre com honestidade e responsabilidade; afastei os que não agiram de forma republicana e jamais cedi às pressões de quem quer que seja!
Vou destacar 3 exemplos que me assuntam quando vejo alguém com seu vasto currículo criticar sem fundamentação, transparecendo ser apenas uma mera perseguição política!
A dívida com a Funprev é uma delas! Você me acusa de ter pago em detrimento de outros usos. O pagamento integral foi feito para evitar os juros de 1% ao mês, relativos ao parcelamento previdenciário, previstos no Art. 149 da Lei 4830/2002. Se não fosse desta forma, teríamos juros incidentes da ordem de R$ 6 milhões impactando os cofres públicos. Não foi escolha, foi responsabilidade com as futuras gestões. A geração de empregos também não se resumiu à criação de MEIs como você desdenhou. Ela foi ampla e irrestrita.
Segundo o Caged e dados da Secretaria de Administração, entre 2018 e 2019 foram gerados 6.153 novos postos de trabalho (celetista e estatutário). Com as mudanças que fizemos na legislação, foram criadas 5.500 novas empresas: eram 28.244 em 2017, passou para 33.797 em 2020. Nossa cidade também ficou entre as 10 melhores do Estado na formalização de MEIs, passando de 18 para 33 mil.
A retaguarda hospitalar para enfrentamento da Covid-19 em 2020 jamais colapsou! Os 239 leitos de enfermaria e 144 de UTIs, aliados às ações de controle da circulação do vírus, mantiveram a curva epidemiológica dentro dos limites e ninguém morreu à espera de leitos. Além disso, deixamos em conta para o atual governo R$ 5,5 milhões para o combate a pandemia.
Enfim, independentemente das nossas diferentes visões de mundo, lhe desejo paz e acima de tudo luz para compreender que o mundo também pode ser diferente do que convencionamos enxergar.
O autor é biólogo, ex-prefeito de Bauru.