Arealva - Após cinco anos, graças ao uso da tecnologia, a Polícia Civil esclareceu a autoria de crime bárbaro, ocorrido em Arealva (41 quilômetros de Bauru). Na ocasião, sitiante de 71 anos foi assassinado a facadas durante roubo. As digitais do suspeito, coletadas no carro roubado da vítima, posteriormente abandonado, alimentaram um banco de dados e, em 2020, quando ele foi preso por um homicídio em outro município, o sistema informatizado "entregou" o envolvimento dele no crime anterior.
José Firmino Preto foi golpeado no pescoço por dois assaltantes que invadiram sua propriedade, na noite de 6 de fevereiro de 2016, no bairro rural Santa Isabel. Depois de matar o sitiante, a dupla fugiu com o carro dele, um Gol cinza, levando botijão de gás, violão e celular. Na manhã seguinte, um dos suspeitos, de 31 anos, foi preso. O segundo, conhecido como "Neguinho", que seria morador do Paraná, não foi localizado.
Segundo o delegado de Arealva, Roberto Cabral Medeiros, o veículo da vítima foi encontrado abandonado em Itapeva, próximo a Sorocaba, e laudo do exame pericial realizado no carro, com as impressões digitais coletadas, foi encaminhado em setembro de 2018 ao Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), órgão da Secretaria da Segurança Pública, para a confrontação com o banco de dados do órgão.
"Como 'Neguinho' não possuía documentos pessoais emitidos por nosso Estado de São Paulo, principalmente a Cédula de Identidade, o RG, não houve positividade, no sentido de identificá-lo, com as impressões colhidas pela perícia no automóvel da vítima", explica Cabral. Porém, as investigações tomaram um novo rumo só a partir de 22 de maio de 2020, quando o suspeito foi preso após um homicídio em São José do Rio Preto.
"O banco de dados já tinha as impressões digitais dele, mas, como ele era do Paraná, e não tinha nenhuma documentação expedida por São Paulo, não foi possível identificá-lo em 2016. Como ele foi preso em 2020 em São José do Rio Preto, no momento em que colheram as impressões digitais e alimentaram os sistemas informatizados, 'bateu' com aquelas encontradas no carro roubado e abandonado na oportunidade", diz.
Agora identificado, L.A.C., 35 anos, também deverá responder pelo latrocínio. "Encetaremos novos atos de polícia judiciária pertinentes, dentre eles o pedido de desarquivamento do inquérito policial e, após, o formal indiciamento dele pelo crime cometido em Arealva, no ano de 2016", informa o delegado. "Com o trabalho investigativo incessante dos policiais civis de Arealva, aliado à tecnologia, se chegou ao autor, como já se tinha chegado ao co-autor".