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Pandemia de Covid fecha repúblicas e pausa ritmo universitário em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru é conhecida por ser polo universitário, 'casa' de cerca de 30 mil estudantes de ensino superior, que historicamente fazem parte do cenário urbano do município. Fácil identificá-los em pontos de ônibus, dentro e ao redor das universidades ou nos bares. Mas, com a pandemia, esta realidade mudou.

O fato de estes jovens terem praticamente "desaparecido" dos locais onde tradicionalmente circulavam revela uma dificuldade enfrentada por parte deles. Sem perspectiva de retomada das aulas integralmente presenciais e com despesas nem sempre fáceis de administrar, muitos decidiram deixar Bauru e voltar para suas cidades de origem, o que levou a um movimento intenso de extinção de repúblicas universitárias na cidade.

Somente a Liga das Repúblicas de Bauru - que pode servir como termômetro para dar dimensão da proporção deste fenômeno - registrou, do início da pandemia até agora, a dissolução de 17 de suas 50 repúblicas associadas, o correspondente a mais de 30% do total. Também se tornaram comuns fusões entre duas ou mais repúblicas, que registraram evasão de parte dos moradores e optaram pela união como forma de sobrevivência.

Presidente da liga, a estudante de administração da Unisagrado Laís Alexandre da Silva, 25 anos, explica que o encerramento de repúblicas em Bauru tem múltiplos fatores, todos diretamente relacionados à crise pandêmica. Um deles foi a falta de perspectiva, durante um longo período, para retorno das aulas presenciais - somente na última quarta-feira (7), o governo do Estado anunciou a retomada das atividades do ensino superior, a partir de 2 de agosto.

Laís conta que, inicialmente, os universitários ficaram em compasso de espera, com alguma esperança de que a pandemia pudesse ser contornada em poucos meses. Mas, com a crise se alongando e o ensino remoto já em curso, muitos optaram por voltar a viver na casa dos pais, em suas cidades de origem.

PERDA DE RENDA

Acrescente-se a isso o aumento dos níveis de desemprego, com a consequente perda de renda dos jovens, já que muitos trabalhavam em estabelecimentos da cidade. O problema afetou também os pais de vários deles. "Muitos alunos, por exemplo, trabalhavam em barzinhos, como bartender em eventos. Com a pandemia, eles perderam a renda que ajudava a complementar o que recebiam da família para custearem as despesas. Assim, a permanência deles na cidade foi ficando inviável", descreve Laís, moradora da República Clausura, no Jardim Panorama, que também perdeu uma das residentes justamente em razão do desemprego do pai.

Outro fator complicador foi a impossibilidade de realizar eventos, fontes tradicionais de renda para muitas repúblicas, inclusive para o pagamento de despesas da casa. Para piorar, o aluguel dos imóveis - calculado com base no Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que, em fevereiro de 2021, acumulava alta de 28,94% em 12 meses - ficou mais caro neste ano.

De acordo com estudantes ouvidos pela reportagem, diante da crise sanitária, a maioria dos proprietários negociou descontos por alguns meses, mas, ao fim deste período, aplicou o reajuste, o que também contribuiu para expulsar da cidade aqueles que possuíam menos renda. "Alguns ainda insistiram, até porque, para devolver a casa, há um custo com pintura, reforma. Mas, no fim, acabaram ficando mesmo só aqueles que conseguiram manter emprego na cidade - muitos, por exemplo, começaram a trabalhar em empresas de recuperação de crédito - ou quem estava fazendo estágio", comenta Laís.

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