Cultura

Nos traços do desenho, o reencontro com a paz

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Que a pandemia alterou as rotinas, aumentou as saudades e deu voz a sentimentos de ansiedade e insegurança, infelizmente, não é uma novidade. Independentemente da idade, do ramo de atuação ou do tempo de relacionamento com a arte de desenhar, a folha em branco foi o refúgio desses tempos incertos para quem ama e se dedica às ilustrações.

Foi pensando no reencontro consigo mesma que a engenheira civil Nathalia Matos Beijo, de 33 anos, resolveu entrar para a aula de desenho depois de anos sem pegar lápis e papel com tal finalidade. "Já tinha feito aulas de desenho há anos atrás, por conta do cursinho pro vestibular, mas nada como agora. Eu sou de uma área totalmente de exatas e senti falta de me conectar com os meus gostos pessoais, de me reencontrar. E eu descobri no desenho esse caminho também para me expressar", afirma a aluna de desenho recém-chegada à turma do "André Petraglia Instituto de Arte e Cultura".

MAIS QUE UM HOBBY

Não só no ambiente de aula, mas em casa, com um pouco mais de tempo livre foi onde ela e também Lorena Nicolielo, de 16 anos, e Maria Clara Arantes, de 21, encontraram alívio por meio dos desenhos. "Estava ficando com muita ansiedade, por ficar em casa na pandemia, e comecei a desenhar para me acalmar. Eles começaram a ficar bonitos e eu pensei em começar uma aula para ganhar mais técnica", diz. "Eu já tinha desenhado, mas eles não ficavam bons, até que eu passei a de fato me interessar por eles e eles passaram a ser um hobby e a me desestressar", completa a jovem Lorena.

Maria Clara, além de levar a prática como hobby, também vê o desenho como profissionalização, já que deseja seguir a carreira de ilustradora de quadrinhos. "Antes, fazia tentativas autorais em casa, mas essa é a primeira vez que faço aulas. Foi durante a pandemia que cheguei à conclusão sobre o caminho profissional que queria seguir e isso me trouxe aqui e estreitou meu contato com o desenho, que é reconfortante", conta.

EXPRESSÃO

Junto delas, a adolescente Gabriela Olive, de 13 anos, engrossa o coro quando o assunto são os benefícios de sua relação com o desenho. Ela que começou aos 10 anos a fazer aulas, parou por um período e acaba de retornar, também motivada pelas alterações trazidas em sua rotina, por conta da pandemia. "Eu me conectei um pouco mais com o desenho na pandemia porque, agora, tenho mais tempo livre pra isso. Normalmente, eu coloco uma música e espero até vir alguma imagem na minha cabeça pra eu desenhar. O desenho ajuda bastante a me expressar sem precisar falar. É uma forma de passar meus sentimentos para o papel, é relaxante", finaliza Gabriela enquanto começa um novo desenho em folha sulfite.

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