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Orelhões 'somem' das ruas de Bauru

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

A adesão maciça da população pela praticidade oferecida pela telefonia móvel e pelos smartphones fez com que os telefones públicos se tornassem cada vez mais raros nas ruas de Bauru. Segundo a Vivo, operadora do serviço na cidade, o número dos populares orelhões está em acentuado declínio e, hoje, são apenas 252, uma média de um aparelho para cada 1,5 mil bauruenses. Para se ter uma ideia, em 2017, conforme informou a empresa em reportagem do JC na época, eram 1.563, ou seja, em quatro anos, houve uma queda de 86%.

A operadora reitera que a redução de aparelhos disponíveis está mesmo atrelada à demanda pelas novas tecnologias de comunicação e, consequentemente, ao pouco uso. Ainda em 2017, por exemplo, 30% dos orelhões que existiam na cidade, ou seja, 469 equipamentos, não registraram uma única chamada sequer entre janeiro e agosto. Na outra ponta dessa realidade, em dezembro do ano passado, conforme o JC noticiou, Bauru contabilizava cerca de 1,4 milhão de linhas de celulares ativas, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Nesse montante, inclusive, está a linha móvel da aposentada Delma Theodoro, de 76 anos. Apesar de já ter feito muitas ligações de telefones públicos, ela engrossa a multidão que aderiu à praticidade dos celulares. "Já usei os orelhões em que era necessário pagar com uma fichinha de metal e aqueles que você tinha um cartão com créditos. Lembro que ia no mercadinho perto de casa, no Bela Vista, para ligar para meu marido e papear", conta, aos risos. "Mas, desde a época que trabalhava em uma padaria, há 25 anos, já não tenho mais o costume de usar orelhões", pondera, pouco antes de interromper a entrevista para atender uma ligação no celular.

'DIFÍCIL ACHAR UM'

Já a cabeleireira Lucilene da Silva, de 44 anos, lembra que, antes, havia até filas de pessoas que precisavam de telefones públicos. "Hoje, é difícil de encontrar um aparelho na rua. E é mais difícil achar um que esteja funcionando, já que as pessoas não respeitam e quebram", observa. Inclusive, o único orelhão encontrado pela reportagem no Centro da cidade, na quadra 5 do Calçadão da Batista de Carvalho, não estava funcionando. Até mesmo os que antes ficavam na Praça Rui Barbosa foram retirados.

A reportagem questionou a Vivo sobre a frequência com que os orelhões de Bauru sofrem vandalismo, porém, a empresa não forneceu detalhes.

Além disso, outra dificuldade enfrentada pelas pessoas que precisam usar telefones públicos, principalmente em casos de urgência, é saber os números para os quais precisa ligar. "Eu andava com uma agendinha, com o nome e o telefone das pessoas. Hoje, fica tudo no celular. Se acabar a bateria, não consigo entrar em contato com ninguém", diz Lucilene.

SURPREENDEU

Com 17 anos, a estudante Steffany Kawany nunca usou um orelhão na vida. Mas, surpreendentemente, ela acha que o serviço ainda é essencial. "Nunca aconteceu de eu precisar de um orelhão, então nunca utilizei um. Mas, se acabasse a bateria do meu celular, procuraria um orelhão. Eu não emprestaria meu celular para alguém que me pedisse emprestado, por medo, então não vou pedir o de alguém emprestado", complementa a jovem.

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