Um novo estudo da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), publicado no periódico especializado Tobacco Control, concluiu que fumar cigarros mentolados está diretamente associado à dificuldade em abandonar o vício, especialmente entre pessoas que fumam quase todos os dias.
A pesquisa mostra ainda que fumantes adeptos da versão mentolada - cerca de 40% dos participantes analisados - precisaram de um tempo significativamente mais demorado para parar de fumar do que os usuários de cigarros comuns.
Pessoas que começaram a usar este tipo de cigarro antes da tentativa de largar o vício se mostraram 28% menos propensas a conseguir ficar em abstinência por mais de um mês, em comparação com aqueles que não fumavam o produto com mentol. Ao estabelecer o período de um ano sem o fumo, a possibilidade caiu para 53%.
Apesar de já existirem estudos que apontam o efeito do mentol nos cigarros e como ele contribui para o vício, a nova pesquisa da Universidade da Califórnia já é considerada no meio científico americano uma das mais precisas por ter acompanhado cerca de 46 mil pessoas, todos fumantes que estavam tentando parar de fumar gradualmente ou totalmente.
Os pesquisadores descobriram também que os indivíduos que mudaram de cigarros mentolados para os sem sabor tiveram uma probabilidade maior de parar de fumar do que aqueles que mantiveram o consumo de mentol.
Nos últimos anos, a Food and Drug Administration (FDA, órgão equivalente à Anvisa nos EUA) vem proibindo no país quase todos os cigarros e charutos com sabor, mas o mentol segue aprovado. Em abril, a agência propôs rever a decisão e os pesquisadores dizem que as novas descobertas apoiam a medida.
"Esta é a melhor reunião de dados que temos até agora de um estudo observacional - disse ao respeitado site StatNews, Eric Leas, especialista em Saúde Pública da Universidade da Califórnia em San Diego e um dos autores da pesquisa.