Geral

Exportações crescem 39,7% na cidade e superam os resultados pré-pandemia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de resultados ruins no primeiro semestre do ano passado, quando a produção industrial sofreu forte desaceleração em meio ao avanço da pandemia, as exportações em Bauru voltaram a crescer. De janeiro a junho de 2021, as indústrias da cidade exportaram o equivalente a US$ 143,3 milhões, 39,7% a mais do que o valor alcançado no mesmo período de 2020, de US$ 86,4 milhões.

E o resultado deste ano foi, também, 21,5% melhor na comparação com o período pré-pandemia, já que, no primeiro semestre de 2019, as indústrias locais remeteram US$ 112,5 milhões em produtos para outros países. Da mesma forma, o volume de importações e o superávit da balança comercial também foram maiores em 2021, ante aos dois anos anteriores. Os dados são da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Apesar de os números representarem otimismo, representantes do setor lembram que os exportadores representam apenas 2% da indústria. Destacam também que, em um cenário de dólar ainda alto frente ao real, o que encareceu o preço de insumos, apenas as grandes empresas foram efetivamente favorecidas neste primeiro semestre.

DEMANDA REPRESADA

Segundo o diretor da Regional Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Gino Paulucci Júnior, a atividade industrial não teve ótimo desempenho no início de 2019, em razão do cenário de incertezas sobre os rumos que seriam tomados pelo governo Jair Bolsonaro. Já em 2020, o cenário piorou com a chegada da pandemia, que gerou forte impacto nos fluxos do comércio internacional, com desaceleração das exportações especialmente para regiões como Europa e América Latina e países como os Estados Unidos.

"Em 2020, houve um nervosismo muito grande no mercado, o que levou à paralisação de vários negócios. O comércio ficou fechado no mundo todo e houve uma redução muito grande de demanda. No primeiro semestre de 2021, as atividades já estavam sendo retomadas, ainda que devagar, e havia uma demanda represada, de pessoas que tinham ficado sem fazer compras", analisa.

O diretor projeta que, com o provável arrefecimento da pandemia, a tendência é de ampliar o nível de exportações e da atividade industrial como um todo.

MERCADO INTERNO

Já para o empresário Domingos Malandrino, conselheiro do Ciesp, o cenário não é tão otimista. Ele analisa que as exportações podem ter aumentado em 2021 porque, diante do encolhimento do mercado interno, um maior número de empresas teria passado a buscar negócios com outros países para compensar as perdas. Pontua, ainda, o fato de Bauru contar com a distribuidora de uma grande empresa siderúrgica, sem parque fabril na cidade, que, sozinha, puxa para cima os números (leia mais abaixo).

"E a China continuou importando muito aço na pandemia. Vejo que as vendas estão aquecidas para produtos ligados à infraestrutura, como maquinário pesado, tubulações e ferragens", diz. O conselheiro também salienta que apenas 2% das indústrias do País são exportadoras e que, no geral, o setor continua sofrendo com os efeitos da pandemia, bem como do dólar alto, embora, nos últimos meses, a paridade entre a moeda americana e o real tenha aumentado.

"Muitas matérias-primas e insumos são cotados em dólar. Além disso, houve aumento de despesas com álcool em gel, máscara e adequações para garantir o distanciamento. E, no mercado interno, não há mais como repassar estes custos para os consumidores", observa.

Comentários

Comentários