Todos os dias, representantes do governo de Fukushima fazem apresentações aos jornalistas no centro de imprensa em Tóquio. Querem mostrar que a região está recuperada, é segura e faz parte do que o Japão batizou de "Recovery Games" (jogos da recuperação, em inglês).
Dez anos após um dos maiores desastres nucleares da história, a província vai receber o primeiro evento esportivo das Olimpíadas. A partida de softbol entre Japão e Austrália vai ocorrer a partir das 21h (de Brasília) desta terça-feira (20), no Fukushima Azuma Baseball Stadium, a 290 km da capital.
"Os locais das Olimpíadas foram limpos e restaurados de maneira profunda. Mas existem áreas que não passaram por esse processo, como florestas e montanhas, e elas oferecem sérios riscos de exposição a radiação", disse à reportagem o professor Marco Kaltofen, coautor de estudo sobre os índices de radiação em locais que receberão os Jogos. "De fato, várias partes de Fukushima ainda estão fechadas a visitantes, mas o risco de radiação nos locais de eventos olímpicos é insignificante."
Em 11 de março de 2011, uma reação em cadeia provocou o acidente que causou mais de 18 mil mortes e a evacuação de uma área de 1.150 km², deixando cerca de 100 mil desabrigados. Às 14h46 daquele dia, um terremoto de magnitude 9,1 atingiu o arquipélago. Com epicentro no mar a cerca de 70km da península de Oshika, foi o mais forte registrado na história do Japão.
Seguido por intensos tremores, provocou um tsunami que avançou sobre três províncias: Iwate, Miyagi e Fukushima. As ondas de até 14 metros de altura inundaram a Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, na qual três dos seis reatores nucleares derreteram e liberaram elementos radioativos no ar, na água e na terra.
O estádio Azuma, a cerca de 90km do local da tragédia, será sede das disputas de softbol e beisebol. Como está fora de Tóquio, cidade onde a presença de público nos eventos está vetada, a arena poderia receber torcedores, algo que não ocorrerá por decisão do governador Massao Uchibori.