Washington - Em seus últimos dias no cargo, o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, defendeu nesta quinta-feira (22) que o governo do Brasil apresente nos próximos meses um plano detalhado sobre como o País pretende atingir os compromissos ambientais assumidos recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Na cúpula do clima liderada pelo presidente norte-americano, Joe Biden, Bolsonaro prometeu alcançar a neutralidade climática até 2050 e acabar com o desmatamento ilegal até 2030. "Esses compromissos são importantes, agora temos que ver como fazer", disse Chapman.
No Brasil desde abril de 2020, Chapman anunciou sua aposentadoria em 10 de junho, abrindo espaço para que Biden defina o novo chefe da missão em Brasília. Ele deixa o país no fim de semana. Chapman afirmou ainda que o melhor seria o Brasil lançar esse plano ambiental antes da COP-26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), marcada para ocorrer em novembro em Glasgow, na Escócia.
Desde o início do governo Bolsonaro, o Brasil enfrenta forte pressão internacional na área do meio ambiente. O País tem sido criticado pela retórica contra preservação de Bolsonaro e pela forte política de desregulamentação na área. O governo também é alvo de queixas da comunidade internacional por ataques a lideranças indígenas e, principalmente, pelo aumento de desmatamento na Amazônia.
Até janeiro de 2021, as cobranças vinham sobretudo da Europa, uma vez que o ex-presidente americano Donald Trump tinha uma política de desregulamentação parecida com a de Bolsonaro. A situação mudou com a chegada de Biden ao poder. O governo norte-americano somou-se aos europeus nas gestões para pressionar o Brasil.
Nesta quinta, Chapman reconheceu que meio ambiente foi o tema em que houve maior mudança de posição dos EUA na transição dos governos Trump para Biden. Ele diz ainda que o tema mais sensível continua sendo o desmatamento ilegal na Amazônia e que o Brasil precisa buscar "soluções rápidas" para o problema.