O Conselho de Graduação da Universidade de São Paulo (USP) decidiu invalidar nesta semana as matrículas de seis estudantes de graduação por fraude em cotas raciais no processo seletivo de ingresso na instituição. Em seu perfil oficial nas redes sociais, o Comitê Antifraude da universidade informa que os alunos desligados são da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da Faculdade de Medicina, na Capital, e da Escola de Enfermagem, em Ribeirão Preto.
Por meio de nota encaminhada pela assessoria de comunicação, a direção da FOB informou que a faculdade participou da reunião do Conselho de Graduação em que o anúncio foi feito e que ainda não recebeu o nome ou nomes dos estudantes envolvidos. O detalhamento dos casos, o número de alunos em cada unidade e em quais cursos eles estavam matriculados não foram revelados.
Segundo a USP, o conselho é a última instância de análise dos processos e os universitários em questão ainda poderão apresentar pedido de reconsideração. Se mesmo depois dos pedidos a decisão for mantida, eles serão oficialmente expulsos da universidade. E somente a partir deste momento a identidade deles poderá, eventualmente, ser divulgada.
Atualmente, a Pró-Reitoria de Graduação da universidade investiga 193 denúncias de supostas fraudes na autodeclaração de pertencimento ao Grupo de Pretos, Pardos e Indígenas (PPI) envolvendo estudantes que entraram na USP por meio da reserva de vagas, conforme informações da instituição.
As denúncias são referentes ao período de 2017 a 2021, sendo 161 relacionadas ao ingresso via Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e 32 à Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest). No período, foram recebidas 381 denúncias, mas 160 foram descartadas e 27 não tiveram andamento, porque os próprios alunos cancelaram a matrícula.
No ano passado, também houve a invalidação de matrícula de um aluno do Instituto de Relações Internacionais (IRI) por fraudes racial e socioeconômica.
DENÚNCIAS
As denúncias sobre cotas são recebidas pela Pró-Reitoria de Graduação, que confere as informações da matrícula e a existência de indícios mínimos de materialidade. "São levados em conta os traços fenotípicos do aluno grupo PPI, como cor de pele, formato do nariz, cabelo e estrutura corporal", informou a USP.
Depois de avaliados pela Pró-Reitoria, os casos são encaminhados às comissões de Averiguação e de Invalidação de Matrículas. Cada comissão é formada por três docentes, sendo um deles necessariamente preto ou pardo.