Nacional

'Fundão' dá força a rivais de candidatos próprios à Presidência

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A aprovação no Congresso de um fundo eleitoral "turbinado", de R$ 5,7 bilhões, acirrou uma disputa nos partidos entre os líderes e dirigentes que defendem e os que são contra candidaturas próprias à Presidência. O montante crescente de dinheiro público nas eleições não necessariamente beneficia o lançamento de nomes na corrida pelo Palácio do Planalto em 2022. A divisão dos recursos já mobiliza caciques e foi o combustível de uma crise interna no PSDB, por exemplo.

Como o fundo é proporcional ao número de deputados, a leitura no meio político é que os parlamentares terão prioridade total sobre candidaturas ao Executivo na hora de distribuir os recursos. O presidente Jair Bolsonaro disse que vetará o valor de R$ 5,7 bilhões, mas a expectativa no Congresso é que o montante chegue aos R$ 4 bilhões, ou seja, o dobro do gasto das eleições municipais de 2020, que foi de R$ 2,035 bilhões.

Integrantes do DEM, PSL e MDB, legendas que lançaram pré-candidatos na disputa, reconhecem que não há disposição para abrir o cofre em uma eventual disputa ao Palácio do Planalto. "Não adianta figurar na eleição presidencial se não construir uma participação expressiva no Parlamento. Todos partidos têm o objetivo de ampliar a bancada", disse o ex-ministro da Educação e ex-deputado Mendonça Filho, que integra a direção do DEM. Em 2022, Mendonça vai disputar uma vaga de deputado federal em Pernambuco.

O MDB e o PSL, que são ao lado do PT donos das maiores fatias do fundo eleitoral, planejam estar juntos na disputa presidencial do ano que vem. O MDB lançou a senadora Simone Tebet (MT) e o PSL o apresentador José Luiz Datena, mas nos bastidores as duas partes falam em uma combinação: o presidente do PSL, deputado Luciano Bivar, seria vice de Tebet, e Datena disputaria o Senado em São Paulo. O acordo já esbarra, porém, em um impasse: ninguém quer pagar a conta de uma eleição majoritária.

Em 2018, o MDB só lançou Henrique Meirelles à Presidência porque não precisou gastar nada do seu fundo, que foi usado para abastecer majoritariamente campanhas para deputado.

"Não vai rolar candidato com 1%, só se ele for rico como o (Henrique) Meirelles", brincou o deputado Paulinho da Força (SP), do Solidariedade. "A maioria dessas candidaturas não é para valer. É tudo ensaio."

Comentários

Comentários