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Produtores traçam estratégias e fazem plantão para evitar prejuízos em geada

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Por conta das geadas previstas para Bauru e região (veja mais abaixo), agricultores estão traçando estratégias diferentes para evitar grandes perdas com o congelamento das plantas. Eles também afirmam que vão ficar 'de plantão' sem dormir nestes dias de frio intenso. Ao contrário do que aconteceu na última semana, quando foram pegos de surpresa pela brusca queda na temperatura, os produtores contam que, desta vez, estão se preparando cobrindo suas hortas com lonas, pulverizando melaço de cana-de-açúcar e até apostando na nebulização.

É o caso de Leandro de Almeida Serpa, de 49 anos, que possui uma plantação de hortaliças orgânicas na margem da rodovia Bauru-Piratininga. Conforme o JC noticiou, durante a geada da semana passada, 80% das hortaliças na propriedade dele congelaram. A perda foi de cerca de R$ 10 mil.

E justamente para evitar mais prejuízos e não perder, inclusive, as mudas que foram plantadas para recuperar a destruição da semana anterior, o agricultor adotou novas estratégias. "Cobri todas as hortas com lonas. E, durante a madrugada, perto das 4h, vou até as plantações monitorar se a medida foi suficiente para evitar o congelamento das folhas. Se não tiver sido, vou ligar o sistema de irrigação porque a água evita que queimem. Vou ficar de plantão. Não posso perder mais produções", explica Leandro, que também é presidente do Conselho Rural de Piratininga.

Além disso, visando reforçar ainda mais a defesa das plantas contra o frio, o agricultor pulverizará um biofertilizante - feito de melaço de cana-de-açúcar diluído na água - nas hortaliças, para ajudar a atrasar o congelamento delas. "Como não há mais previsão de precipitação, vou passar em todas amanhã (hoje) pela manhã para contar com mais um recurso", complementa o agricultor.

NEBULIZAÇÃO

Quem também está lançando mão de estratégias para evitar perdas é o produtor de abacaxis Armando Yoshiura, de 66 anos, que trabalha no ramo há mais de quatro décadas e tem uma propriedade às margens da Bauru-Marília. "Na semana passada, acredito ter perdido cerca de 15% da minha plantação. As coroas dos abacaxis cultivados nas partes mais baixas ficaram queimadas. Ou seja, aquele fruto não vai se desenvolver com a mesma qualidade. Só que o cultivo de um abacaxi demora 20 meses. Não posso arriscar arcar com tanto prejuízo", relata.

Por isso, o agricultor decidiu que utilizará, durante a madrugada, seu aparelho nebulizador principalmente nessas partes baixas da propriedade. "O objetivo é fazer com que a fumaça ajude a evitar a formação de sereno nos frutos. Vou ficar de plantão na plantação, monitorando. Porém, preciso que não esteja ventando, porque o vento pode levar a fumaça embora. Também vou acender fogueiras em pontos estratégicos para que essa fumaça também colabore. Espero que funcione", completa Armando Yoshiura.

 

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