O Plano Diretor de Águas (PDA) revisado pelo DAE prevê o investimento de R$ 344,9 milhões até 2034, sendo R$ 100 milhões somente para a construção de uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA), mais moderna e com maior capacidade de produção, para substituir a atual. O recurso desta parte fundamental do plano terá de ser captado via União ou Estado ou, ainda, por meio de contrapartidas de empreendimentos ou financiamento bancário.
Segundo o presidente do DAE, Marcos Saraiva, todas as obras previstas neste novo plano serão suficientes para assegurar água nas torneiras dos bauruenses pelos próximos 25 anos, inclusive em períodos de estiagem como o de agora. A revisão, inclusive, já foi encaminhada à Câmara Municipal, que instaurou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) em maio para analisar a execução do plano, um mês depois de o JC publicar reportagem sobre o assunto.
Na ocasião, o jornal revelou que o PDA, entregue há sete anos para a prefeitura, teve poucas metas cumpridas e já demandava atualização. Nesta sexta-feira (30), o relatório final da CEI, elaborado pelo vereador relator Guilherme Berriel, será lido em plenário.
Enquanto transcorrem as apurações do Legislativo de Bauru, o Ministério Público negocia com o DAE a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), como forma de garantir a execução ao menos dos primeiros anos do cronograma do novo PDA (leia mais abaixo).
Marcos Saraiva explica que, na revisão do plano, as obras foram melhor distribuídas ao longo dos próximos 15 anos, de forma que os custos anuais ficassem mais equânimes, dentro da real capacidade de pagamento da autarquia. Também foram incluídas outras intervenções de menor complexidade, como perfuração de novos poços, construção de reservatórios e instalação de adutoras, para minimizar, de modo mais imediato, o problema de falta d'água na região abastecida pelo Rio Batalha, que abrange 38% da cidade.
MÉDIO PRAZO
No médio prazo, de 2026 a 2027, a meta é concluir a construção de uma nova ETA em substituição à atual, com capacidade de ampliar a vazão de água de 550 litros por segundo para até 800 litros por segundo. A obra, contudo, ainda depende da viabilização de recursos.
De forma escalonada, até 2027, o DAE projeta construir, ao custo de R$ 40 milhões, um novo ponto de captação, mais próximo da nascente do rio, onde ainda há maior fluxo de água, a 22 quilômetros de distância da lagoa de captação existente hoje. "Porém, o Batalha é um rio finito. Então, ainda não está descartada a possibilidade de buscar água no Rio Tietê, em vez de fazer esta nova captação. Aí, faríamos uma nova ETA no Distrito Industrial 2, só que ela seria uma obra mais demorada e mais cara, porque é um rio mais poluído, que demanda um outro tratamento", detalha Saraiva.
Antes, contudo, até 2023, o novo PDA prevê a reforma emergencial da ETA atual, no valor de R$ 1,8 milhão, e a implantação de um sistema de tratamento de resíduos da estação até 2025, ao custo de R$ 18 milhões. "Hoje, estes resíduos vão para o aterro. A ideia é fazer o processamento para aproveitá-los como adubo", pontua.