Uma pesquisa irá analisar o impacto psicológico que a pandemia está provocando na população, depois de um ano e meio de restrições, afastamento, perdas e incertezas. Um dos objetivos é detectar como o medo intenso e por tempo tão prolongado, a que a população está submetida, pode contribuir para deteriorar a saúde mental.
O estudo é realizado por um consórcio internacional que envolve pesquisadores do Brasil, Espanha e México. Todos os residentes no País, maiores de idade, podem colaborar, respondendo a um questionário pela Internet (https://bit.ly/3zJczoI), que baseará a investigação sobre como a crise sanitária atingiu a saúde mental dos indivíduos.
O projeto foi idealizado pela Universidade de Huelva e Universidade de Sevilha, na Espanha, e, no Brasil, é liderado pelo coordenador do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina de Botucatu, Adriano Dias.
De acordo com o professor, esta será, na realidade, uma segunda etapa de um trabalho iniciado em maio do ano passado, quando mais de 5 mil brasileiros responderam a um questionário semelhante, cujos resultados ainda estão sendo analisados.
"Aquele primeiro questionário ficou disponível até setembro e, até aquele momento, o cenário era de incertezas. Agora, acredito que a população sofre com incertezas diferentes, porque, quando a pandemia estava para completar um ano, a situação piorou. Neste momento, vemos uma perspectiva de melhora, mas o processo de vacinação ainda engatinha e não temos perspectiva de quando a vida vai voltar ao normal", avalia Dias, que também é PhD em epidemiologia.
ESTRESSE E MEDO
Some-se a isso o aumento de casos que vem sendo registrado em outros países, como é o caso dos Estados Unidos, em que a variante delta se propaga, favorecida por parte considerável da população, que se recusa a tomar vacina. "É a primeira vez que teremos oportunidade de avaliar como o estresse e o medo por tempo tão prolongado podem deteriorar a saúde mental das pessoas", adianta o professor.
Assim, a pesquisa visa avaliar o grau de ansiedade e temor da população, considerando que parcela dela pode, inclusive, desenvolver fobia social, com dificuldade para voltar a se relacionar, o que já vem sendo relatado em outros países. O objetivo, ao fim do estudo, é balizar futuras intervenções, inclusive por parte do poder público, para minimizar estes danos.
Nesta nova etapa da pesquisa, a meta é alcançar pelo menos 2 mil participantes no Brasil. O questionário, que permite o preenchimento de forma totalmente anônima, está disponível em https://bit.ly/3zJczoI.