Inaugurado oficialmente no último dia 24 durante um evento que contou, inclusive, com a presença do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, o Residencial Manacás, situado na quadra 14 da rua São Sebastião, no Nova Esperança, em Bauru, já é alvo de queixas por parte dos seus moradores, que começaram a chegar na semana passada. Desde então, boa parte das famílias, ligadas à faixa 1 do Programa Minha Casa Minha Vida - hoje, Casa Verde e Amarela -, cuja renda mensal não passa de R$ 1,8 mil, tem de conviver com a falta de água e energia elétrica, além de outros problemas estruturais, como vazamentos, infiltrações e rachaduras.
Esse é o caso da dona de casa Tainara de Souza Rodrigues, de 19 anos, que chegou ao Manacás na terça-feira passada (27). Desde então, a jovem, que vive com o marido e a filha do casal, a pequena de Eloá, de apenas 2 meses, precisa se virar para conseguir energia elétrica e, assim, garantir a inalação do bebê. "Eu coloco uma extensão no fio do corredor, que tem energia, pois a minha menina não pode ficar sem esse tratamento", acrescenta.
Ainda de acordo com a moradora, alguns apartamentos sequer estão ligados a um relógio de energia elétrica. "Nós acionamos a CPFL, que chegou a visitar o prédio, mas a nossa situação não mudou", comenta a dona de casa.
Já a auxiliar de limpeza Myriani Aparecida Paulino, de 29 anos, tem energia e água no seu apartamento, mas convive com os vazamentos do líquido desde que se mudou para o empreendimento. "Eu tenho medo de não conseguir pagar a conta, afinal, o DAE não deixará de cobrar por esse desperdício", desabafa.
E AGORA?
Questionada, a Caixa Econômica Federal (CEF), responsável pelo repasse dos recursos para as obras do empreendimento, afirma que o residencial foi construído pela Construtora Construqualli, que deve fazer os eventuais reparos estruturais.
A empresa, segundo a nota, "foi acionada e disponibilizou uma equipe para sanar eventuais problemas". A Caixa ressalta, também, que possui um canal para receber reclamações sobre vícios construtivos dos imóveis ligados ao programa federal. Gratuito, o telefone do De Olho na Qualidade é o 0800-721-6268. Existe, ainda, a possibilidade de acionar a instituição financeira através da opção Fale Conosco do site www.caixa.gov.br.
Já a CPFL Paulista informa que "realizou as ligações de energia dos moradores indicados pela CEF e prefeitura, responsáveis pelo empreendimento, mas os dados estavam desatualizados. A concessionária solicitou a correção do cadastro e, assim que o contrato for regularizado, priorizará essas ligações".
A Prefeitura de Bauru diz que os problemas internos do Residencial Manacás devem ser tratados diretamente com a construtora. Os representantes da empresa, de acordo com o município, estão de plantão durante os dias úteis da semana, no salão de festas do empreendimento, para dar suporte aos moradores.
Abordado no local, um engenheiro dessa construtora preferiu não se posicionar, recomendando, inclusive, que a reportagem acionasse a CEF.
VAZAMENTOS
O DAE, por sua vez, afirma que "os vazamentos internos são de responsabilidade dos moradores". Como não há qualquer indicativo de que o problema esteja relacionado à parte subterrânea do imóvel, "a cobrança seguirá normalmente, conforme o que passar pelos hidrômetros".
Diante disso, a autarquia orienta os moradores a desligarem os registros enquanto não estiverem consumindo água até que os reparos sejam feitos.