Geral

Bauru dá adeus a oncologista que fez mais de 30 mil cirurgias

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 4 min

Morreu, na manhã desta segunda-feira (2), o médico Carlos Eduardo Araújo Antunes, aos 84 anos. Fundador do Instituto do Câncer de Bauru (Naic) e considerado um dos maiores nomes da oncologia no Estado de São Paulo, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória.

Carlos Antunes se formou em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com residência no Hospital do Câncer de São Paulo. Trabalhou por mais de 30 anos como cirurgião oncológico e de cabeça e pescoço, especializado em oncologia clínica e radiologia. Segundo a família, realizou mais de 30 mil operações e era pioneiro na área oncológica em Bauru, além de autor e coautor de trabalhos nacionais e internacionais.

"A mãe dele, minha avó, morreu de câncer de mama. Por isso, ele decidiu ser oncologista. Dedicou a vida à medicina filantrópica. Fez de tudo para atender pacientes pelo sistema público de saúde e foi médico domiciliar por anos. Desde que voltou para Bauru, em 1973, lutou por um melhor atendimento aos pacientes com câncer e conseguiu abrir o atual Naic, em 1998. Era o médico dos desamparados e um grande cirurgião, com reconhecimento internacional", conta o filho dele, Marcelo Antunes, que, inspirado no pai, também é médico oncologista e diretor geral do Naic.

"Era uma pessoa muito amiga, rígida nas obrigações, gostava muito de pescar e era muito alegre. Era um excelente pai. Já não fazia mais atendimentos e nem cirurgias, mas era muito querido por seus pacientes. Ele amava fazer medicina. Dedicou a vida à isso. Ele deixa o legado do atendimento com carinho, atenção e dedicação aos pacientes", complementa o filho.

Em nota oficial, o Instituto Naic lamentou a perda nas redes sociais. "Nesse momento de profunda dor, a administração do Naic manifesta aos familiares e amigos as mais sinceras condolências. (...) Que seu legado perdure para todo sempre".

ADEUS

O velório foi realizado no Memorial Bauru Necrópole Ecumênica Vertical, na tarde desta segunda-feira (2). O sepultamento ocorreu às 18h, no mesmo local. Carlos Antunes deixa a esposa Julieta; os filhos Lilia, Adriana e Marcelo; e seis netos.

APM LAMENTA

A regional Bauru da Associação Paulista de Medicina (APM) enviou nota de pesar ao JC.

"Carlos Eduardo Araujo Antunes, nascido em Bauru, começou a trabalhar aos 13 anos de idade no balcão da farmácia até ser professor do primário da rede municipal de Bauru. Nesta época tinha um sonho em ser médico, mas não tinha formação técnica e nem local para moradia. Acabou fazendo colegial científico adaptativo de 3 anos em 1 ano. Conseguiu uma vaga de moradia na casa de estudante da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, tendo assim a oportunidade de cursar medicina após aprovação no vestibular.

Trabalhou como professor na rede pública municipal da periferia de Curitiba para manter seus estudos médicos. Durante o curso de medicina, sua mãe Nair faleceu de câncer de mama e seu pai veio a falecer uma semana após o falecimento da mãe. Nesta época, com dois irmãos menores em Bauru, pensou que não iria conseguir se formar em medicina pelas dificuldades em seu caminho. Após a conclusão da graduação, fez residência de cirurgia oncológica e cabeça e pescoço no Hospital A.C. Camargo. Tornou se membro titular daquela instituição ainda na década de sessenta e fez parte da equipe de cirurgia oncológica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Na ocasião, foi co autor do trabalho sobre a conduta terapêutica no câncer de laringe. Produção científica que serviu de referência nacional e internacional. Retornou à Bauru em 1971 com o sonho de desenvolver a oncologia cirúrgica. Desenvolveu um trabalho em conjunto com a Faculdade de Odontologia de Bauru para a introdução do dentista ao centro cirúrgico hospitalar. Recebeu da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço a cadeira de membro titular vitalício pelo seu pioneirismo. Desenvolveu um trabalho de cunho nacional em pacientes com câncer e hanseníase. Se tornando um cirurgião extremamente habilidoso nesta área, chegando a operar centenas de pacientes da região Norte do Brasil no Instituo Lauro de Souza Lima. Após estágio com Humberto Veronese na Itália, trouxe a cirurgia conservadora de mama em 1982. Estagiou no Instituo de Oncologia de Câncer de Lisboa Francisco Gentil e no Japão.

Desenvolveu um trabalho comunitário de atendimento gratuito domiciliar aos pacientes com câncer da periferia da cidade de Bauru por mais de vinte anos.

Sempre teve um sonho de construir um atendimento de qualidade e de igualdade aos pacientes com câncer".

Comentários

Comentários