Pirajuí - Trabalho de conscientização desenvolvido desde 2017 junto a autores de violência doméstica em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), suspenso no ano passado em razão da pandemia, será retomado com mudanças. Além de abranger toda a Comarca, a proposta é que a ação, antes realizada por voluntários, ganhe status de política pública e passe a ser executada por servidores públicos concursados, que serão remunerados.
Na última sexta-feira (30), membros do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Pirajuí (Comdim) se reuniram virtualmente com representantes do Poder Judiciário, Ministério Público (MP) e Polícias Civil e Militar para discutir a retomada do projeto como forma de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Baseado no programa "E Agora, José?", implantado na Comarca de Santo André, o "E agora José de Pirajuí" deve retornar presencialmente até o mês que vem, segundo a presidente do Comdim, a psicóloga Regiane Shimith. O acusado de violência doméstica deverá participar de dez encontros em grupo, a cada 15 dias, na sede da Secretaria Municipal de Assistência Social.
"Esses homens vêm de toda a Comarca de Pirajuí devido à medida protetiva de urgência. Eles não foram condenados ainda", conta a psicóloga, que está concluindo capacitação para atuar no programa. "É feito um trabalho de conscientização e reflexão para eles reverem essa questão de masculinidade tóxica". Na pauta, também estão o machismo e as relações de gênero.
Inicialmente, de acordo com ela, três voluntários ministravam o curso, mas dois não irão continuar. "Nós fizemos um pedido ao Ministério Público para que ele ajudasse a gente no sentido de convocar uma reunião com prefeitos ou secretários de Assistência Social e Saúde dessas cidades para que enviassem concursado público para a gente poder tocar o programa", diz.
Embora não haja um estudo sobre a efetividade desse trabalho de conscientização, Shimith revela que há uma percepção por parte da Polícia Militar (PM) de queda nos chamados de violência doméstica a partir do início do curso. Segundo ela, todo esse esforço por parte de diferentes setores da sociedade contribui para quebrar o ciclo de violência no âmbito doméstico.
"Esse homem vai rever toda a postura dele, a visão dele sobre a masculinidade. Ele vai refletir, rever suas atitudes e repensar tudo o que, até então, ele vinha fazendo e que, para ele, era considerado normal e natural", declara. "Esse trabalho de conscientização é importantíssimo para romper esse ciclo de violência. Eu diria que é fundamental".