Esportes

Bronze na terra e no ar


| Tempo de leitura: 4 min

O atletismo brasileiro conquistou duas medalhas de bronze nesta terça-feira (3) nas Olimpíadas de Tóquio. Alison dos Santos foi o terceiro nos 400 metros com barreiras e Thiago Braz garantiu a mesma colocação no salto com vara. A prova de Alisson foi pela manhã (horário de Tóquio), mas a cerimônia do pódio para entrega da medalha só ocorreu à noite no estádio Olímpico, já em meio à final do salto com vara de Thiago Braz.

Campeão no salto com vara no Rio-2016, Thiago Braz voltou a brilhar nos Jogos Olímpicos e faturou o bronze em Tóquio. O brasileiro não chegou à final como um dos favoritos, mas superou-se com um salto de 5,87m e garantiu o seu lugar no pódio. O ouro ficou com sueco Armand Duplantis (6,02m). Já a prata foi para o estadunidense  Cristopher Nilsen (5,97m).

O bronze de Thiago Braz, atleta nascido em Marília, veio na base da superação. Depois do ouro no Rio de Janeiro, quando saltou 6,03 metros e bateu o recorde olímpico, a expectativa era de que a carreira de Thiago continuasse em ascensão, mas não foi isso que ocorreu. O próprio atleta chegou a afirmar que a sua vida virou "um rebuliço". Até 2018, ele mesmo considerou que foram dois anos perdidos em relação ao seu aproveitamento técnico.

Problemas físicos também o atrapalharam muito nesse ciclo olímpico até o bronze em Tóquio. Com lesões nas costelas e na panturrilha, ele não competiu, por exemplo, no Mundial de 2017, em Londres. Dois anos depois, disputou o Mundial de Doha, no Catar, com dores musculares na panturrilha.

Por isso, não era cotado como medalhista em Tóquio, mas mostrou que cresce na decisão. "Representa uma resiliência, principalmente dentro das Olimpíadas. Nada foi fácil para mim nesses cinco anos, mas me superei e estou trazendo essa medalha para o Brasil. Muito feliz pela minha esposa e minha família inteira que me ajudou. Eu estava confiante para conseguir o ouro, mas não deu", disse.

"Dois dias atrás eu tinha sonhado que fiquei com a medalha de bronze. No sonho, eu não gostei muito porque queria a de ouro (risos), mas fiquei feliz com a medalha", concluiu Braz.

PASSADAS GIGANTES

Com 1,98m de altura e suas passadas largas, Alison dos Santos, 21 anos, alcançou um feito gigante nesta terça em Tóquio ao conquistar o bronze nos 400 metros com barreiras. Foi a primeira medalha do Brasil na prova em toda a história e também a primeira no atletismo nas Olimpíadas no Japão.

Em uma prova espetacular, com quebra de recorde mundial, Alison foi muito bem principalmente nos metros finais, onde garantiu o 3º lugar com boa vantagem para o quarto colocado. O ouro ficou com o norueguês Karsten Warholm, que marcou 45s94 e pulverizou o recorde mundial. A prata foi do estadunidense Raj Benjamin (46s17).

Com o tempo de 46s72 nesta terça-feira, Alison quebrou o recorde sul-americano novamente. A marca dos três primeiros colocados foram as três melhores da história, evidenciando o altíssimo nível técnico da final.

"Fizemos história aqui hoje. Entramos na pista e cada um fez o melhor. Todo mundo, quase, saiu da prova com o recorde pessoal. Quebraram a barreira dos 46 segundos. Três atletas quebraram o recorde olímpico, isso é incrível, nunca aconteceu antes. Nunca teve uma prova tão forte antes. Eu fico feliz não apenas de competir, mas de ajudar a prova a ser mais forte", contou Alison.

Segundo ele, foi uma surpresa ver o tempo que alcançou após a prova. "Eu me surpreendi comigo mesmo Meu sonho era correr abaixo dos 47s. A marca que eu tinha na cabeça era 46s93. Agora 46s72 eu não imaginava, ainda mais em uma final olímpica. Foi tudo muito perfeito", finalizou.

A trajetória desse paulista de São Joaquim da Barra (SP) é surpreendente. Ele foi o primeiro atleta do País a correr a prova abaixo de 48 segundos. Somente nesta temporada já havia quebrado o recorde sul-americano cinco vezes.

Alison consegue aliar a sua capacidade física - só de pernas tem 1,12m - com talento raro. Quando completou 16 anos, por exemplo, começou a disputar provas na categoria adulta. Quando fez 18 anos, quebrou o recorde sul-americano sub-20.

Com dez meses de idade, ele sofreu um acidente doméstico. Uma frigideira com óleo virou sobre si. Ele ficou meses internado para tratar das queimaduras. As cicatrizes daquele acidente estão com ele até hoje. Quando criança, Alison tentou ser judoca. O garoto trocou o tatame pelo atletismo e hoje é medalhista olímpico.

Comentários

Comentários