Brasília - O reverendo Amilton Gomes de Paula chorou durante depoimento na CPI da Covid e pediu desculpas ao Brasil por ter participado da tentativa de venda de vacinas ao Ministério da Saúde. O referendo declarou que o fez "não agradou primeiramente aos olhos de Deus", e que ele se arrependia "de ter estado nessa operação das vacinas".
"Eu tenho culpa, sim. E hoje de madrugada antes de vir pra cá eu dobrei os meus joelhos, orei, e aí eu peço desculpa ao Brasil. E o que eu cometi não agradou primeiramente aos olhos de Deus", disse, e emendou: "Esse erro que eu cometi é um erro que se eu pudesse voltar atrás eu voltaria. Sou de Brasília. Eu abri a porta da minha casa num momento que eu estava enfrentando a perda de um ente querido da minha família. E eu queria vacina para o Brasil", disse.
DÚVIDA CRUEL
O choro ocorreu após o senador Marcos Rogério (DEM-RO) fazer uma intervenção: "De que paraquedas o senhor caiu nessa mediação? Estou numa dúvida cruel, eu não sei se vossa senhoria foi enganado, ludibriado, ou se vossa senhoria, com todo respeito, é parte de uma tríade de golpistas. Eu lamento muito ter que fazer isso aqui, porque eu defendo o governo, mas não defendo qualquer prática que faça parte de alguma suspeita de irregularidade."
A SESSÃO
O pastor foi chamado na CPI após ter sido apontado como intermediador da empresa com o Ministério da Saúde. A Davati ofertou vacinas ao governo federal sem comprovar a capacidade de entrega de doses nem ter aval da AstraZeneca, fabricante do imunizante oferecido pela companhia.
Amilton declarou que facilitou o acesso da empresa no ministério em função de uma "missão humanitária" e admitiu que esperava receber uma doação para a Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), organização fundada por ele.
EMPRESA
A empresa Davati Medical Supply informou que, ao contrário do que informou o depoente desta tarde à CPI da Covid, reverendo Amilton de Paula, jamais enviou proposta ao governo brasileiro em que oferecia o fornecimento de vacina ao valor de US$ 11 por dose.