Brasília - Os temores de deterioração das contas públicas e o recrudescimento das tensões políticas, com ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao Supremo Tribunal Federal, se sobrepuseram ao tom duro do Comitê de Política Monetária (Copom) e empurraram o dólar para cima nesta quinta-feira (5).
No fim da sessão, a moeda americana era negociada a R$ 5,2156, valorização de 0,57%.
Pela manhã, o real até brilhou, liderando os ganhos entre divisas emergentes, na esteira da alta da taxa Selic em 1 ponto porcentual, para 5,25%, e do aceno do Copom de que levará a política monetária para o campo restritivo - o que sugere a ampliação do diferencial de juros interno e externo e, em tese, aumenta a atratividade da renda fixa local.
Mas a moeda brasileira sucumbiu ao longo da tarde. O gatilho desta vez foi o parecer do programa de parcelamento de débitos tributários, conhecido como Refis, que despertou receio de perda de arrecadação. O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, era contra a reabertura do programa.
É mais um ponto de apreensão sobre o rigor fiscal do governo Bolsonaro, já sob suspeita por conta do debate em torno do reajuste do Bolsa Família e os penduricalhos na PEC dos precatórios.