Lá estava eu recebendo na minha casa mais uma doação de alimentos. Quem se envereda por esse caminho é contaminado pela bênção da caridade, não dá para parar mais, afinal, palavras ensinam, os exemplos arrastam, temos nós outros nossa religião, todavia, entendemos que elas são setas no caminho, não fazem por nós o que é devido fazer, mas ajudam-nos a indicar o bom caminho a ser percorrido, que nós mesmos temos que caminhar.
Religião por religião, nada resolve.
Voltando ao fio da meada, recebi quantidade boa de alimentos e enquanto recebia já imaginava onde já doar, quando e as faces alegres das pessoas, e nosso coração bem "quentinho". Essas pessoas que são vilipendiadas pela sociedade. A fome, o frio não esperam. Mal as pessoas caridosas que fizeram a doação acabaram de sair eu, ainda imerso em meus pensamentos, quando chega em meu portão um senhor que amiúde auxiliava, pai de cinco filhos, mora de favor em barraco, esposa enferma, faleceu recentemente de Covid, aparência triste a dele, desdentado, magro, roupa puída, chora, lamenta a ida precoce da amada na morada dos espíritos.
Peguei tudo que tinha ganho e dei a ele. Nada acontece por acaso. Em lágrimas, me agradeceu. Pedi para ele voltar que sempre teria algo para doar.
Também fiquei triste, constrangido mesmo, ao pensar quando reclamo de um arroz amanhecido, de uma carne dura, de um pão de ontem. Deus mostra, mas desta vez, além de me mostrar, fui " esbofeteado", pois como reclamamos! Aprendi muito com essa lição, vou melhorando aos poucos, entendendo as dores alheias com mais conteúdo, e se nosso mestre desejar, cada vez mais lhe serei devoto. Não espere para mudar, a vida passa rápida e quando você menos esperar, já caquético, se perguntará como o tempo passou rápido, e quantas pessoas poderíamos ter ajudado, com alimentos, esperança, oração e fé.