Viver Bem

Praticar esportes vale ouro!

Ana Carolina de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Há duas semanas, o Brasil vibra assistindo aos Jogos Olímpicos e torce calorosamente cada vez que aparece a bandeira do País na telinha, numa competição. Quando um nome conhecido nosso sobe ao pódio então... Uma das vitórias mais celebradas foi a de Rayssa Leal, a Fadinha, de 13 anos, medalha de prata no skate, na categoria street feminino. Com a mesma idade, a japonesa Momiji Nishiya foi ouro na competição. Dois ótimos exemplos de que é desde cedo que se começa a praticar esportes. Mas como escolher a atividade? E como fazer com que as crianças curtam aquilo e a rotina não vire um tormento? Para responder a essas e outras perguntas, conversamos com dois especialistas em saúde infantil.

Segundo o pediatra e professor da UFF André Ricardo Araújo da Silva, geralmente não há restrição para a prática de esportes na infância. "O esporte na fase pré-escolar deve ser praticado pelas crianças com caráter mais lúdico e colaborativo. Auxilia no desenvolvimento do espírito de coletividade em detrimento das preferências individuais (em esportes coletivos) e na disciplina, na obediência a regras, contribuindo para o fortalecimento do caráter. Já atividades esportivas que demandam uso da força muscular, como halterofilismo por exemplo, devem ser evitadas até que o crescimento esquelético esteja maduro o suficiente para suportar carga."

A psicóloga Talitha Nobre analisa: "A prática de esporte deve ser uma possibilidade de qualidade de vida. Ela é importante e traz conceitos fundamentais para a formação da criança: cidadania, trabalho em equipe... Mas, quando existe o imperativo da vitória, pode gerar frustração. Se a gente parar para pensar, não só no esporte, mas na educação de uma maneira geral, a nossa cultura nos ensina desde pequenos que não basta ser bom, a gente tem que ser o melhor. Isso, desde cedo, vai criando na criança uma ideia de competitividade muito grande, de que não pode perder, de que tem que ganhar, e a gente tem uma tolerância pequena para perder. Os pais, os primeiros incentivadores, precisam sempre dialogar com a criança. É importante saber como ela encara aquilo: é um desejo dela praticar aquela atividade ou dos pais? Porque às vezes a criança vive o desejo dos pais, que se realizam ali, e não o dela.

PRESSÃO

A trajetória das duas jovens skatistas pode ser curta, mas não foi fácil. Rayssa começou sobre as quatro rodas aos 7. Nishiya, aos 5. Até agora, ambas têm se divertido nas provas, como pôde ser visto na Olimpíada. Mas, nesta semana, uma outra atleta chamou atenção ao desistir de competir, alegando que precisa cuidar da saúde mental. Trata-se de Simone Biles, 24 anos, fenômeno na ginástica, considerada a melhor do mundo atualmente na modalidade.

"Nos esportes, a gente vê crianças sendo incentivadas pelos pais a jogar futebol para ser um Ronaldinho, e muitas vezes você nem sabe se é um desejo da criança", diz Talitha Nobre.

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