Práticas como a meditação e o reiki podem trazer efeitos positivos à saúde, e 61,7% dos brasileiros aproveitaram isso durante o primeiro ano de pandemia. O dado é de uma pesquisa desenvolvida pela Fiocruz, que avaliou o uso das chamadas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no país em 2020. O resultado do estudo, divulgado na última semana, traz boas ideias para começar agosto com o pé direito e espantar a sua fama de "mês do desgosto".
"As PICS são benéficas tanto para quem já tem alguma doença e quer complementar o tratamento convencional, quanto para quem é saudável, mas quer melhorar sua qualidade de vida", explica a enfermeira e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) Andressa Nunciaroni.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece 29 PICS, que possuem evidências científicas sobre suas eficácias. Entre as mais praticadas pelos brasileiros no último ano, segundo a pesquisa da Fiocruz, estão o uso de plantas medicinais e fitoterapia (28%), meditação (28%), reiki (21,6%), aromaterapia (16,4%), homeopatia (14,5%), terapia de florais (14%) e yoga (13%).
Cada terapia terá uma ação diferente a partir dos objetivos a que a pessoa se propõe. Algumas podem auxiliar no tratamento de doenças, como a ansiedade e a depressão, ou ajudar na cicatrização de feridas, por exemplo. Outras, como a acupuntura e a aromaterapia, podem até auxiliar a melhora de dores crônicas.
No entanto, apesar dos benefícios proporcionados, tais práticas não substituem tratamento algum, e sim somam-se para otimizar resultados e contribuir para o bem-estar de quem as pratica.
"Não é para ninguém parar de tomar o remédio da pressão ou da diabetes, por exemplo, esse não é o objetivo das PICS. Elas são uma ferramenta a mais na hora de pensar em tratamentos, reabilitações, prevenções de doenças e promoção de saúde, o que pode fazer uma boa diferença", ressalta Nunciaroni.
Você pode entrar em contato com unidades de saúde ou espaços coletivos perto de onde mora - como Postos de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) - e se informar sobre quais são as terapias disponíveis. A professora e enfermeira orienta. "Temos sempre que nos basear no uso dessas práticas a partir de evidências científicas e procurar profissionais capacitados na hora de buscá-las."