Atitude

Eles também podem sofrer com a depressão pós-parto

Helena Martins
| Tempo de leitura: 2 min

A depressão pós-parto não atinge só as mães. Segundo pesquisas apresentadas em Congresso da Associação Americana de Psicologia (APA), tanto homens quando mulheres experimentam algum tipo de depressão após o nascimento de um filho. O mal atinge cerca de 10% dos novos pais, e até 18% deles têm algum tipo de transtorno de ansiedade, mostraram especialistas, como Dan Singley, professor na Universidade de San Diego, nos Estados Unidos. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS). "A depressão pós-parto não pode mais ser vista como uma variante patológica dos processos reprodutivos femininos", afirma Dan Singley.

A suspeita de que a a depressão pós-parto não é somente hormonal começou a aparecer quando pesquisadores observaram que pais e mães adotivos também apresentavam sintomas depressivos, diz Sara Rosenquist, pesquisadora do Centro de Psicologia de Saúde Reprodutiva na Universidade Estadual da Carolina do Norte. Um dos motivos pelos quais a questão relacionada aos pais é pouco falada é que eles tendem a não procurar serviços de saúde mental durante o período. Além disso, profissionais de saúde não recebem treinamento adequado para identificar e tratar essas questões em pacientes homens.

"As mulheres são mais propensas a relatar sentimentos de tristeza e choro frequente, enquanto os homens a se sentirem irritados e socialmente desconectados", diz Sara, sobre as diferenças dos sintomas entre pais e mães.

Observações de antropólogos já mostravam que homens às vezes exibem sintomas semelhantes aos das parceiras durante a gravidez, como náusea, azia, dor abdominal, inchaço e alterações no apetite. Outras pesquisas demonstraram que o contato próximo com parceiras pode induzir alterações hormonais em homens e o surgimento de instintos paternos. Eles também podem apresentar níveis identificáveis de prolactina (hormônio que estimula a produção de leite materno). Outro ponto mostrado por cientistas é que alguns experimentam uma queda temporária na produção da testosterona logo após o nascimento do bebê.

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