Foi vendo o irmão mais velho tocar saxofone no Projeto Guri que o bauruense Victor Atanazio Pires, à época com 9 anos, interessou-se pela música, especialmente pelo trompete. O irmão desistiu do projeto alguns anos depois, mas para ele começava ali uma carreira profissional que o levou ao mestrado na Universidade do Estado da Geórgia, nos Estados Unidos, para onde irá no próximo dia 16 de agosto.
O grande passo na carreira profissional de Victor foi planejado desde 2016, quando ingressou no curso de bacharelado em trompete na Unicamp, em Campinas, com o professor Paulo Ronqui. "Minha primeira experiência com o instrumento foi no Projeto Guri e em seguida entrei para a Banda Sinfônica de Bauru. Passei também pelo conservatório de Tatuí, onde já comecei a pensar na música como profissão. Depois, fiz intercâmbio de 10 meses no Texas, nos EUA e, quando voltei, entrei na faculdade. Sempre tive este plano de fazer a graduação aqui e o mestrado fora do País", afirma o trompetista.
Ao longo dos quatro anos de graduação, Victor se dedicou ao estudo por muitas horas diárias, com foco e energia para alcançar seus objetivos. Também passou a participar de diversos festivais de música como Festival de Inverno de Campos de Jordão, Femusic, Festival de Música de Curitiba, entre outros. Além disso, teve passagem por grandes orquestras como Orquestra Sinfônica de Piracicaba, Orquestra Sinfônica Mozarteum, Banda Sinfônica Jovem de São Paulo e Orquestra Jovem do Teatro São Pedro.
"Eu e o Alexander Freund, que será meu professor lá, temos um amigo em comum, o Adenilson Telles, que estudou em Berlin e conheceu o Freund, que é alemão. Conversando sobre minha vontade de me especializar fora, Adenilson fez a ponte entre nós e o professor gostou do meu trabalho. Apliquei e fui aprovado em agosto do ano passado, mas por conta da pandemia adiei para janeiro, dessa vez com bolsa integral. Na época ainda não consegui ir por falta de documentação e, agora, enfim, estou embarcando na semana que vem", relata o músico, que passará dois anos com bolsa integral e de auxílio para permanecer no País, somando cerca de US$ 35 mil por ano.
INCENTIVO
Ao longo desses anos, o maestro Devanildo Balmant - primeiro professor de Victor - o acompanhou mantendo a amizade e o apoio que começou na infância do músico. "Eu cresci ouvindo o Deva tocar. Ele sempre foi uma inspiração muito forte junto de outros tantos nomes", diz.
O maestro, regente da Banda Sinfônica de Bauru, comenta que Victor sempre foi um menino muito aplicado e interessado, que desde novinho tinha foco e levava os estudos muito a sério. "Quando veio para a prática de Banda Sinfônica, ele teve de fato seu despertar. O envolvimento dele com o instrumento foi algo bonito de acompanhar", comenta.
Quem também fala sobre a conquista do bauruense é a maestrina Sônia Berriel, que salienta a importância da valorização da música erudita como carreira profissional e de ações que fomentam esse caminho. "Projetos como a Banda e a Orquestra Sinfônicas da nossa cidade dão oportunidades gratuitas para que os jovens possam ter contato com a música erudita e o Victor mostra que este trabalho realizado dá frutos e descobre grandes talentos de Bauru", declara. "O legado artístico e profissional que alcançamos com nossos alunos é mesmo um ponto forte da Banda e Orquestra Sinfônicas. Temos representantes em grandes Orquestras do País e no exterior e o Victor é um desses casos de destaque que contamos", completa Devanildo.
PERSEVERANÇA
Animado e ansioso pelo início das aulas do mestrado, em 23 de agosto, Victor destaca que espera se preparar para se disponibilizar para orquestras, grupo de metais, bandas e cameratas. "Mas acho válido dar aulas e entrar em projeto que eu possa ensinar crianças em comunidades, inspirar outros jovens. Para quem também quer a carreira profissional, digo que não desistam, fiquem firmes. Se você sente paz e isso faz bem a você, se consegue transmitir isso para as pessoas que te escutam, persista e se dedique aos estudos", finaliza.