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Baixa frequência de adultos no TikTok expõe crianças a risco

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Com vídeos curtos e desafios de dança, o TikTok virou ponto de encontro para crianças e adolescentes mais novos. A baixa frequência de adultos na rede social dificulta a mediação do que é publicado por lá. As crianças se sentem à vontade no TikTok - o que nem sempre é um problema, mas pode esconder riscos.

Nesta semana, a cantora de forró Walkyria Santos relatou o suicídio do filho, Lucas, de 16 anos, e trouxe à tona o debate sobre o uso de redes sociais pelos jovens e os danos à saúde mental. "As pessoas destilando ódio na internet, deixando comentários maldosos. Meu filho acabou tirando a vida. Foram só os comentários nesse TikTok nojento que fizeram com que ele chegasse a esse ponto."

O CASO

No fim de semana, o jovem havia publicado no TikTok um vídeo simulando beijar um amigo. A publicação viralizou, com comentários críticos e mensagens homofóbicas. A mãe pediu que ele apagasse o vídeo, segundo contou o sócio de Walkyria e amigo da família, Alexandre César. O jovem, então, publicou novo vídeo, dizendo que não esperava tamanha repercussão. "Estou basicamente fazendo isso (pedindo desculpas) para não tomar uma surra tão grande, tão merecida, que vou morrer."

Na manhã de terça, ele foi achado morto pela tia no quarto onde dormia, em um condomínio em Parnamirim, na região metropolitana de Natal. 

Crianças e jovens que já têm transtornos mentais ou passam por dificuldades podem encontrar nas redes sociais publicações que reforçam o sentimento de exclusão e dor. 

"Redes muito voltadas para a imagem, como o TikTok, têm um potencial de aumentar a valorização do corpo, do 'ter'. O corpo dos jovens nas danças do TikTok é algo que os adolescentes gostariam de ter", diz o psiquiatra e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Guilherme Polanczyk. A vida paralela que os mais novos mantém nas redes já é investigada por psiquiatras e psicólogos quando os jovens chegam aos consultórios com transtornos.

Por meio de nota, o TikTok lamentou a morte de Lucas. Segundo a rede, a prioridade é dar apoio ao bem-estar da comunidade "e fomentar um ambiente acolhedor e inclusivo". 

MEDIAÇÃO

Pais devem acompanhar a vida digital dos seus filhos - e isso não quer dizer que precisam ter contas nas mesmas redes sociais. As famílias devem estabelecer acordos sobre como será feito o monitoramento das publicações. Podem, por exemplo, pedir que os filhos mostrem o que estão publicando ou combinar acessos periódicos às redes sociais.

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