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Educação não cumpre prazo e pais protestam para ter aulas presenciais

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

O que era apenas um temor virou realidade para os pais dos alunos da Escola Municipal do Ensino Fundamental (Emef) Waldomiro Fantini, na Vila Dutra. Em julho deste ano, eles procuraram o JC para falar sobre o receio de que seus filhos ficassem de fora da volta às aulas, ocorrida em 2 de agosto. Na ocasião, a Prefeitura de Bauru garantiu que um imóvel seria locado a tempo, porém, mais de uma semana depois do prazo, a locação não se concretizou e os estudantes continuam sem aulas presenciais. A situação gerou um protesto de pais nesta segunda-feira (9). Eles cobram mais agilidade do poder público.

A Emef Waldomiro Fantini está em reforma geral desde março deste ano. A previsão de conclusão da obra é para junho de 2022.

Pais de alunos da escola e representantes do bairro criticam o fato de a prefeitura não ter se antecipado em relação ao processo de locação de outro imóvel para acolher os estudantes durante o tempo em que a obra perdurar.

"É um absurdo não terem planejado nada antes. Eles sabiam que a obra era para o segundo semestre de 2022 e nem todo mundo tem internet em casa para acompanhar aula online", critica José Adriano da Silva, tesoureiro da Associação de Moradores do Santa Cândida, Val de Palmas e Leão 13.

"Não dá para prorrogar mais, a prefeitura precisa agir os pais, estão sem informações concretas", acrescenta o presidente da associação em questão, Luiz Antônio da Silva.

DIFICULDADES

Sem computador em casa e com acesso restrito ao universo online, a diarista Joana Valêncio Goes, 38 anos, se preocupa com o atraso escolar dos filhos, de 6 e 10 anos. Leonardo, o mais novo, fará 7 anos nas próximas semanas e nem chegou a frequentar a escola. "Ele não teve o pré, por causa do início da pandemia e, agora, está no primeiro ano e nem ao menos conhece as letrinhas direito. O celular não dá conta. Se a escola não voltar presencial, ele vai para o segundo ano sem saber quase nada", comenta a moradora.

Marta Silva Costa, que não tem computador e internet disponível em casa, também protestava pelas aulas presenciais para os filhos.

"As aulas online ocorrem duas vezes por semana, mas eu trabalho, não é sempre que estou em casa para que eles usem meu celular. Meu filho de 8 anos vai para o terceiro ano sem saber ler, isso é muito triste", lamenta Marta.

Marta e Katia Tassiana reclamavam ainda sobre a possibilidade de a prefeitura alugar três imóveis diferentes para abrigarem as turmas da Emef Waldomiro Fantini. "E as mães que têm dois filhos na mesma escola? O certo é que eles aluguem um imóvel só", observa Katia.

Enquanto as aulas remotas perduram e a Emef Waldomiro está sem sede, os pais ou responsáveis de alunos da unidade têm se dirigido até a Escola Municipal de Educação Infantil Integral (Emeii) Lilian Aparecida Passoni Haddad, localizada na rua Dezenove, 3-40, no Núcleo Leão XIII, para buscar atividades para que os alunos façam em casa.

ATRASO

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação afirma que o prédio que abrigará os alunos está em fase final de análise para locação. "O que atrasou a locação é o fato de que nem todos os prédios têm os documentos exigidos por lei para a locação como o AVCB", explica o município.

Ainda de acordo com a pasta, enquanto isso os alunos devem seguir em aula remota. "Nos próximos dias, dois polos atenderão os estudantes em forma de revezamento: a Fundato Cite e uma igreja católica do bairro", comunica a Educação, mas sem estipular prazos.

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