Brasília - Diretora-assistente da Organização Mundial da Saúde (OMS), a brasileira, Mariângela Simão criticou nesta terça-feira (10) o comportamento dos mercados em meio à oferta desigual de vacinas contra a Covid-19 pelo mundo. "Temos mais de 4 bilhões de vacinas administradas globalmente, mas a distribuição é bastante desigual", disse a médica brasileira, em sessão virtual de perguntas e respostas da entidade sobre equidade de vacinas.
"Não podemos dizer que não estamos produzindo muitas vacinas, mas o que temos é uma jogada de mercado. O mercado está se comportando como sempre faz, não como se estivéssemos em pandemia", acrescentou.
"Como médicos, já não gostamos que o mercado se comporte apenas buscando o lucro. Para salvar a vida das pessoas, é necessário que as vacinas sejam acessíveis", afirmou Simão. "A OMS não é contra o lucro, mas precisamos que investidores entendam a necessidade da saúde pública".
Em relação à dose de reforço do imunizante, que vem sendo discutida em alguns países, Mariângela Simão reforçou que não há evidências científicas que apontem a necessidade desse procedimento até o momento. "As terceiras doses se aplicam a países ricos, já que as vacinas não estão baratas neste ponto. Se você começa a aplicá-las, você está tirando a oportunidade de trabalhadores de saúde receberem a primeira dose em outros locais". A diretora-assistente reforçou, ainda, que enquanto houverem países com baixa cobertura de vacinas, existe a possibilidade de novas cepas do coronavírus se desenvolverem, obviamente prejudicando todos, num mundo altamente globalizado.