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Paulo José, lenda do cinema e da televisão brasileira, morre de pneumonia aos 84 anos

FolhaPress
| Tempo de leitura: 5 min

O ator Paulo José, um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, morreu, nesta quarta-feira (11), em decorrência de uma pneumonia. A informação foi confirmada pela TV Globo.

O ator, que estava internado havia 20 dias em um hospital no Rio de Janeiro, ficou célebre por protagonizar filmes como "Todas as Mulheres do Mundo", de Domingos Oliveira, e "Macunaíma", de Joaquim Pedro de Andrade, além de novelas como "Por Amor" e "Explode Coração".

Paulo José deixa esposa e quatro filhos: Ana, Bel e Clara Kutner, de seu relacionamento com a atriz Dina Sfat, além Paulo Henrique Caruso.

Mesmo depois de descobrir o Mal de Parkinson, doença que o acompanhou por mais de 20 anos, ele sempre se preocupou com a valorização do ofício de ator. Ele lutou pela regulamentação da profissão no final dos anos 70.

Paulo José Gómez de Souza nasceu em Lavras do Sul (RS), no dia 20 de março de 1937. Ele teve seu primeiro contato com o teatro na escola em Bagé, aos dez anos de idade.

Paulo José mudou-se com a família para Porto Alegre e prestou vestibular para Medicina e, depois, Arquitetura, mas já começou a carreira no teatro amador.

Viveu anti-heróis da literatura no cinema

Paulo José interpretou papéis marcantes no cinema e na televisão, além de ter dirigido minisséries e programas como o "Você Decide", em que o público escolhia o final da história por votação ao telefone. Confira alguns dos personagens aos quais ele deu vida.

Paulo, em "Todas as Mulheres do Mundo", de 1966

No filme de Domingos de Oliveira, espécie de comédia romântica, Paulo José vivia o sedutor e namoradeiro Paulo, que acaba se apaixonando perdidamente, numa festa de Natal, por Maria Alice, interpretada por Leila Diniz. O amigo de Paulo, Edu, é vivido por Flávio Migliaccio, com quem ele ainda faria outras parcerias. O filme ganhou uma adaptação em minissérie no ano passado.

Macunaíma branco, em "Macunaíma", de 1969

Em texto escrito em 2015 para o jornal Folha de S.Paulo, Paulo José conta como Joaquim Pedro de Andrade, diretor do filme, que tinha também no elenco Grande Otelo e Jardel Filho, encasquetou com o formato de seu nariz ao convidá-lo para viver a versão branca do herói sem caráter de Mário de Andrade no cinema.

Shazan, em "Shazan, Xerife e Cia", entre 1972 e 1974

A partir da novela "O Primeiro Amor", exibida em 1972, surgiram os personagens Shazan, vivido por Paulo José, e Xerife, interpretado por Flávio Migliaccio, que construíam e consertavam bicicletas, sonhando com uma que voasse. A dupla fez tanto sucesso, que ganhou uma série até 1974, em que os dois viajavam num caminhão caindo aos pedaços até São Paulo para encontrar a peça mágica para fazer a magrela voadora.

Érico, em "Araponga", de 1990

Na novela que parodiava filmes americanos de espionagem escrita por Dias Gomes, Lauro César Muniz e Ferreira Gullar, Paulo José interpretava um astrônomo que vivia no mundo da Lua. Ele era apaixonado por música e era casado com a personagem de Christiane Torloni, que tinha pouca paciência para seu comportamento avoado.

Orestes, em "Por Amor", de 1997

Paulo José vive na novela de Manoel Carlos o ex-marido de Helena, personagem de Regina Duarte, e pai de Maria Eduarda (Gabriela Duarte). Rejeitado pela filha, ele vive o drama de um homem decadente e alcóolatra sustentado pela nova esposa.

Policarpo Quaresma, em "Policarpo Quaresma", de 1997

No filme de Paulo Thiago, o ator vive o protagonista do livro clássico de Lima Barreto, do começo do século 20, sobre um homem patriota e de bom coração que sempre se dá mal. O filme tem ainda Giulia Gam e Othon Bastos.

Quincas, em "Quincas Berro d'Água", de 2010

Paulo José deu vida a mais um personagem importante da literatura brasileira neste longa de Sérgio Machado inspirado em Jorge Amado em que um respeitável funcionário público abandona a família para andar com amigos de bebedeira pelas ruas.

Valdemar, em "O Palhaço", de 2011

Em uma de suas últimas aparições no cinema, Paulo José vive o papel tocante de pai de Benjamin, o personagem de Selton Mello, que também dirige o filme. Eles formam a dupla de palhaços Puro Sangue e Pangaré, mas o filho está numa crise existencial e busca sentido e graça no circo.

Famosos lamentam morte e exaltam qualidades do ator

A morte de Paulo José, aos 84 anos, deixou os colegas do mundo artístico em luto. Vários usaram as redes sociais para manifestar o pesar e também para exaltar as qualidades do ator, que morreu nesta quarta-feira (11) em decorrência de uma pneumonia.

Patricia Pillar, 57 anos, que trabalhou com ele no filme "Pequenas Histórias", disse que o colega era "um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos". "Ser humano generosíssimo e um ator brilhante. Seus personagens podiam ser leves e profundos ao mesmo tempo. Um artista gigante!"

Já Leandra Leal, 38 anos, que contracenou com o ator em "Explode Coração", o chamou de "mestre dos mestres". "Na família que criamos nessa profissão, muitos são os pais, muitas são as filhas. Paulo foi o meu primeiro pai na ficção", lembrou. "Eu me lembro com riqueza dos seus ensinamentos."

Na terça-feira (10), Selton Mello, que foi colega de Paulo José no filme "O Palhaço", havia usado as redes sociais para dedicar o trabalho dele em "Nos Tempos do Imperador", novela das 18h da Globo, ao amigo, a quem chamou de "maior mestre".

"[Foi] o ator que me mostrou a maneira de imprimir o máximo, com o mínimo de recursos", comentou. "Ele me abriu portais. Meu amor por ele é gigante. Paulo, eu faço meu trabalho pensando sempre como você faria. Te amo."

O ator ficou célebre por protagonizar filmes como "Todas as Mulheres do Mundo", de Domingos Oliveira, "Macunaíma" e "O Padre e a Moça", de Joaquim Pedro de Andrade, além de novelas como "Por Amor" e "Explode Coração".

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