Esportes

De olho em Paris-2024

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

"Se eu quero ser o melhor, tenho que aprender com os melhores, por isso, quero voltar ao Quênia logo após as férias." A frase é de Daniel Ferreira Nascimento, 23 anos, atleta que representou o Brasil na maratona dos Jogos Olímpicos de Tóquio e que já sonha com a participação nas Olimpíadas de Paris, em 2024. Membro da Associação Bauruense de Desportes Aquáticos (ABDA), ele voltou a Bauru nesta quarta-feira (11), acompanhado pelo técnico Neto Gonçalves, para receber homenagens. E deu detalhes sobre sua participação na prova de rua mais nobre do atletismo.

A competição ocorreu no sábado (7), na cidade de Sapporo. Daniel, que se manteve durante quase todo o tempo correndo no pelotão de frente e chegou a liderar a prova em alguns instantes, teve um mal-estar e acabou deixando a disputa (leia mais abaixo).

Ainda durante a maratona, o atleta chegou trocar cumprimentos o queniano Eliud Kipchoge, recordista mundial e ganhador do ouro olímpico no Japão. Outro detalhe que chamou a atenção foi a pulseira usada pelo brasileiro com as cores do Brasil e também do Quênia.

Daniel explica que tem o queniano como um ídolo e que acompanha, por vídeos, o trabalho dele desde a adolescência. Apesar de ter treinado no Quênia, em abril e dias antes da viagem para o Japão, o brasileiro diz que nunca havia conversado com Kipchoge.

"Acompanhei ele treinando, mas eram só cumprimentos. Depois que eu fiz o índice olímpico, no Peru, é que ele começou a me ver como um adversário. Mas foi nas Olimpíadas que a amizade começou mesmo. Depois, ele até me convidou para passar no Centro de Treinamento dele para treinar", conta Daniel, acrescentando que o cumprimento entre eles se tornou até banner no país africano. "Eu tava super animado na prova, afinal, é o sonho de qualquer atleta correr ao lado de um ídolo no esporte", completa.

Neto Gonçalves avalia a participação como positiva. "A maratona de Tóquio foi a segunda da vida dele e a primeira com os atletas de elite do mundo todo", destaca. Daniel estará em férias pelas próximas duas semanas e, durante este tempo, o treinador organizará a agenda de trabalho. "Agora, é planejar os próximos passos. Enquanto ele aproveita as férias, eu irei levantar para onde iremos, os recursos, quais os locais em que ficaremos e onde ele treinará. Voltar ao Quênia está nos planos", confirma Gonçalves.

HOMENAGEM

Primeiro atleta da ABDA a disputar uma edição de Olimpíadas, Daniel ganhou uma placa alusiva e a marca dos pés na "calçada da fama" da entidade, assim como o treinador Neto Gonçalves. O tênis que o atleta utilizou durante a prova no Japão também recebeu um espaço de exposição permanente na entidade. "Suas conquistas são de todos nós. Seu exemplo ficará para a história e servirá de inspiração para as crianças", pontua Cláudio Zopone, presidente da ABDA.

"A sensação de representar o País foi intensa, é uma pressão gostosa. Agora, vou começar correr na Europa e com os melhores do mundo para pegar a malícia deles e estratégias de prova. Já estou de olho em Paris e quero chegar lá 100%", finaliza Daniel Nascimento.

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