"Sem a loja, eu não consigo sustentar a minha família". O desabafo partiu do comerciante Tiago Taiguara dos Santos, de 32 anos, que aluga um dos 14 imóveis entre as ruas Agenor Meira e Ezequiel Ramos, na região central de Bauru. As unidades, até então pertencentes à Bariri Transportadora Turística, foram leiloadas por R$ 2.095.000,00 para pagar uma dívida ativa com a prefeitura. A compradora, a NV Administração de Bens, de São Paulo, conseguiu, na Justiça, a imissão de posse dos locais. O impasse, portanto, envolve, ao menos, quatro partes: antigo proprietário, arrematante, poder público municipal e inquilinos (leia mais abaixo). Os locatários, inclusive, estão bastante abalados com a situação.
Tanto que o sócio-proprietário de uma loja de acessórios para celulares da quadra 5 da Agenor Meira, Luiz Carlos Benedetto, de 72 anos, sofreu uma queda de pressão e precisou de atendimento médico quando recebeu a notícia. Aposentado com um salário mínimo, o comerciante sustenta que o negócio, existente há uma década, garante maior qualidade de vida à sua família. "Com as restrições impostas pela pandemia da Covid-19, nós usamos todas as nossas economias e não temos como deixar a loja", revela Benedetto, que divide a sociedade da empresa com José Ricardo Brandão Azevedo.
Já o comerciante Tiago Taiguara dos Santos relata que está no imóvel da quadra 5 da Agenor Meira há dois anos. "O proprietário enviava uma pessoa para pegar o aluguel, mas, de um ano para cá, o cobrador passava a cada três ou quatro meses", argumenta Santos, reforçando que os inquilinos comentavam sobre o leilão dos imóveis, porém, para ele, não passava de boato.
COMUNICAÇÃO
Ainda segundo o comerciante, a oficial de Justiça chegou acompanhada de dois representantes do arrematante desses locais na última quinta-feira (12). "Eles disseram que nós teríamos de deixar as nossas lojas no dia seguinte, mas ninguém o fez, porque pretendemos recorrer dessa decisão", adianta.
Por outro lado, a advogada do arrematante, Carla Alecsandra Verardi Mesquita, informa que os inquilinos terão até a próxima sexta-feira (20) para sair dos imóveis. Caso isso não aconteça, eles estarão sujeitos à desocupação coercitiva e multa de 1% ao mês sobre o valor da arrematação, contada a partir do recebimento do mandato.