Tóquio e Paris estão "separadas por três anos". Parece muito tempo, mas não no universo olímpico. São centenas ou até milhares de nadadores de todo o Brasil que buscam a cada braçada o espaço necessário, com o menor tempo, para conseguirem chegar ao ápice dos eventos esportivos. E este caminho começou por Bauru.
Os melhores atletas aquáticos do País, entre eles diversos com ao menos uma experiência olímpica, disputam o Campeonato Brasileiro Interclubes Absoluto de Natação, o Troféu José Finkel, que ocorre na Arena da Associação Bauruense de Desportes Aquáticos (ABDA). A competição é também seletiva para o Campeonato Mundial de Piscina Curta (25 metros), que será realizado em Abu Dhabi, entre 13 e 18 de dezembro.
Duas das principais promessas da natação, Aline Rodrigues e Matheus Gonche, projetam que a nova geração brasileira virá forte em Paris-2024.
'MELHORAR EM PARIS'
A nadadora olímpica Aline Rodrigues, de 26 anos, carioca, que já defendeu o Botafogo e hoje nada pelo Minas, revela que pratica o esporte desde os 3 anos, devido a crises de bronquite e asma. Uma história que começou no consultório e foi parar em Tóquio.
"Realizei um sonho de infância, mas quero mais. Disputar as Olimpíadas foi incrível. Foi tudo mais grandioso do que eu poderia imaginar. Uma energia sem igual. E estou aqui em Bauru e, depois, seguirei para outras competições com foco total em índice para Paris-2024. O Brasil tem muitas chances de melhorar os resultados que já foram bons em Tóquio", comenta.
Em Bauru, Aline Rodrigues foi vice-campeã no revezamento 4x100m livre e terceira colocada no 4x200m livre.
DO SUSTO A TÓQUIO
Matheus Gonche, 22 anos, natural de Resende (RJ) mas que compete pelo Sesi-São Paulo, começou a nadar depois de dar um susto na família. Quando tinha apenas 6 anos, sem avisar os pais, correu e pulou em uma piscina. Nada de grave ocorreu, mas a partir dali o pai e a mãe colocaram o menino travesso e com muita energia para fazer aulas de natação. E deu resultado. As competições e vitórias foram surgindo naturalmente.
"Não imaginava que iria chegar às Olimpíadas. Aconteceu naturalmente, após resultados bons que consegui. Em Tóquio eu não fiz o melhor resultado que eu era capaz de fazer. Os atletas que vão pela primeira vez acabam não conseguindo render muito bem. Acontece. É um ambiente competitivamente hostil, com muitos atletas e todos são os melhores do mundo. Eu nadei no último dia, no 100m borboleta, e é muito difícil você se manter 100%. Foi uma montanha russa de emoções. Aprendi muito e vamos trabalhar para chegar forte em Paris-2024", comenta.
No primeiro dia na Arena ABDA, Matheus Gonche conquistou o primeiro lugar final B nos 100m borboleta com 51,84 segundos.