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Tilibra volta a reivindicar revisão da Lei do Cerrado para expandir

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

O reaquecimento econômico previsto para o período pós-pandemia traz à tona antigas discussões em Bauru. Uma das indústrias mais tradicionais e que mais empregam no município, a Tilibra reivindica a necessidade de revisão da Lei do Cerrado para colocar em prática seu plano de expansão 2022/2023. Isto porque a sede da fábrica, na Vila Cardia, já está com espaço saturado e a expectativa de ampliação recai sobre a área que ela ocupa no Núcleo Octávio Rasi, onde fica seu Centro de Logística e Distribuição. Ocorre que o local é cercado de fragmentos de cerrado, que, pela legislação atual, não podem ser alterados ou suprimidos, mesmo em áreas urbanizadas e com compensações ambientais.

O Projeto de Lei 138/2021, que tramita na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), revisa e flexibiliza a Lei do Cerrado, mas há um temor no setor empresarial de que a medida não prospere (leia mais ao lado).

Caso não haja êxito nas mudanças, a Tilibra já pensa em alternativas fora dos limites de Bauru. "Com a retomada da economia, dos negócios e dos mercados, os planos de expansão voltam a ser discutidos. E a minha missão, como presidente, é buscar alternativas. Temos questões históricas e afetivas com a cidade e não gostaríamos de deixá-la, mas tenho metas e objetivos de expandir os negócios. Então, não descarto essa possibilidade", observa Sidnei Bergamaschi, presidente da Tilibra.

"Somos apenas uma das empresas que aguardam essa revisão da lei. Até porque Bauru é uma cidade pequena em termos de áreas, e a maioria é utilizada para expansão imobiliária", acrescenta o empresário, destacando ainda que a falta de infraestrutura dos distritos industriais potencializa o problema.

NA CAPITAL

Antes da pandemia, a Tilibra enxergou como opção para sua expansão a compra de um concorrente na Capital, assumindo a operação de três fábricas por lá. Entre 2019 e 2020, uma das linhas de produção foi trazida a Bauru e instalada na sede da Vila Cardia.

A expectativa era de trazer mais ampliações e unificar parque fabril e o Centro de Logística e Distribuição. "Mas, sem a revisão da lei, estamos travados para qualquer ampliação e movimentação. Quando a retomada ocorrer, avaliaremos o que fazer, se iremos para algum outro lugar, ou expandiremos em São Paulo", comenta Bergamaschi.

A área da empresa no Octávio Rasi possui 280 mil metros quadrados, mas menos de 10% do espaço é ocupado com cerca de 25 mil metros de área construída. 

DIFICULDADES

Atingida em cheio pela pandemia, a Tilibra passou por demissões no primeiro trimestre de 2021 e, atualmente, emprega cerca de 700 funcionários diretos. Segundo Bergamaschi, que também preside a Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares, o impacto no setor diante do período pandêmico representou queda de até 50% no consumo de itens de papelaria.

Com a retomada das aulas presenciais, a esperança é de que o consumo aumente e viabilize a recuperação econômica, além de um crescimento do setor previsto para 2023.

"Nosso maior mercado é o doméstico brasileiro. E o calendário de vacinação em todo o Estado trouxe expectativas para a economia", finaliza o empresário.

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