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Parte dos devedores sequer sabe que tem débito em aberto, aponta Sedecon

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A Casa do Empreendedor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedecon) é um dos serviços que oferece, de forma gratuita, orientação aos MEIs em Bauru. Porém, principalmente entre os que decidiram investir no próprio negócio há pouco tempo, o desconhecimento sobre o funcionamento do regime do Simples Nacional pode levar a "armadilhas perigosas".

Jacqueline Rodrigues dos Santos Zuccari, diretora da Divisão e Fomento ao Empreendedorismo e Assuntos do Trabalho da Sedecon, relata que o governo federal prorrogou o pagamento de tributos em dois momentos durante a pandemia, neste ano e em 2020, como forma de socorrer estes pequenos negócios. Mas, por falta de conhecimento e experiência, muitos empreendedores entenderam se tratar de isenção, ou seja, que não haveria qualquer cobrança posterior.

Segundo Jacqueline, a Sedecon fez campanhas de divulgação, mas parte dos MEIs ainda não tem total entendimento sobre esta iniciativa federal, que está, inclusive, em vigor neste momento. Os boletos que venceram em abril puderam ser pagos em duas parcelas em julho e agosto; os que venceram em maio serão quitados em setembro e outubro; e, os de junho, em novembro e dezembro.

DIFICULDADE

"O que muitos não compreendem é que, nos próximos meses, eles precisarão pagar, além dos boletos prorrogados, os boletos do mês corrente. O mesmo ocorreu no ano passado, quando alguns tiveram dificuldade para fazer o pagamento destes retroativos. Há uma certa dificuldade para absorver todas as regras", detalha.

 

'Meu faturamento despencou e eu não consegui mais pagar os boletos'

Dono de um delivery de lanches, Jairo Goffi Júnior, 57 anos, foi um dos microempreendedores individuais de Bauru que foram forçados pela circunstâncias a parar de pagar os boletos durante a pandemia. Logo no início, em abril do ano passado, seu faturamento despencou para um quarto da quantia que estava acostumado a alcançar e o resultado foi a falta de dinheiro e sobra de contas a pagar.

"Até cliente com poder aquisitivo melhor desapareceu. Quase todo mundo perdeu poder de compra nessa pandemia, ainda mais com a inflação alta. Foi generalizado", avalia. Ainda de acordo com ele, a crise sanitária fez a concorrência do comércio de lanches aumentar, o que levou à pulverização da clientela.

Como consequência, as contas, incluindo os boletos do DAS-MEI, se acumularam, já que Jairo entendeu que seria necessário priorizar algumas despesas, como pagar o funcionário que faz as entregas e comprar as mercadorias para produzir os lanches. "Fome não passei, até porque poderia fazer um lanche para mim também", conta ele, revelando que a situação foi agravada quando o banco reduziu o limite do seu cartão de crédito.

"Agora, estando inadimplente, não consigo fazer empréstimo para pagar o que devo ou mesmo para investir no meu negócio. Mas, aos poucos, acredito que as coisas vão melhorar", projeta ele, adiantando que fará o parcelamento das taxas atrasadas do MEI antes de a cobrança chegar na Justiça.

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