Cultura

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Samantha Ciuffa
| Tempo de leitura: 2 min

Trap, pop, funk. Santina serviu, na última sexta-feira (13), um EP conceitual, maduro e cheio de referências. Entre as faixas TrapperFemme, Ryca, Não Sou Tua Mana, PassivaAgressiva e Travadas, uma grande viagem dentro do universo da artista. Abner Mozart é o produtor de todas as músicas e trouxe uma sonoridade à altura das letras da trapper. Marginal Eleganzza é o resultado disso tudo e muito mais.

A nova era de Santina, como a mesma definiu o atual momento, é uma mistura do “marginal”, que vem do hip hop e da vivência travesti, preta e periférica, com a “eleganzza” dos looks, maquiagem e conceito. “O EP surgiu após meu descobrimento enquanto mulher trans, drag queen e artista”, conta.

A produção de Mozart foi feita totalmente em casa e a qualidade dos beats também impressiona. “Conseguimos produzir essas músicas com praticamente nenhuma estrutura, até o computador que usamos era emprestado”, narra o músico.

De acordo com ele, as melodias e harmonias foram produzidas de forma orgânica, através de um violão, e só depois foram adaptadas digitalmente. Inclusive, outros instrumentos foram incorporados, como trompete, violino e outros que seriam mais difíceis de gravar em estúdio físico. “Tudo foi na raça mesmo, é a vontade de fazer música”, afirma Abner Mozart.

Ao contrário do último lançamento de Santina, o single “Cachorras Ariskas”, Marginal Eleganzza chega com outro objetivo. “Respeito todo mundo que continua fazendo som com letra de mensagem forte, mas pensei ‘e as travestis escutam o que pra se sentir bem?’ e esse trabalho mostra quem eu sou e o que eu vim fazer no mundo”, explica a cantora.

BALLROOM

Para quem é fã da série “Pose” da Netflix, o termo já não causa nenhuma estranheza. Em meados da década de 1980, em Nova York, a comunidade LGBTQIAP+ precisou se unir para sobreviver. Os chamados ballrooms eram bailes onde essas pessoas se reuniam para disputar em diversas categorias, mas, sobretudo, eram lugares onde podiam ser quem eram. Através de desfiles e danças, criou-se o que ficou conhecido posteriormente como um ato político.

PARCERIAS

De acordo com Santina, esse trabalho só foi possível graças às pessoas que acreditam nela. As primeiras contribuições são justamente das amigas Phedra e Tormenta, que participaram de duas faixas. A gravadora Pisces também comprou a ideia e vai distribuir as músicas para mais de 45 países.

A foto oficial e arte da capa foram feitas por pessoas trans da cidade de São Paulo. Guma Joana ficou responsável pela direção de arte e criação do visual. Kabala fez as fotografias com assistência de Mariana Godoy.

SERVIÇO

Para ouvir o EP “Marginal Eleganzza” basta acessar o perfil de Santina nas plataformas de música ou através de seu perfil no instagram: @naosoutuamana

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