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Em dia com protesto de artistas, Cultura abre inscrições de edital

Samantha Ciuffa
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru teve um sábado (14) movimentado na área cultural. Pela manhã, a prefeitura, através da Secretaria Municipal de Cultura, divulgou e abriu as inscrições para o edital "Culturas Remotas". Já no início da tarde, ocorreu o protesto "Silêncio, a Cultura dorme", na quadra 5 da Batista de Carvalho, local conhecido como Esquina da Resistência. Já marcado há dias, o ato contou com discursos e apresentações artísticas. De um lado, o poder público afirma estar trabalhando dentro da disponibilidade financeira e, de outro, a classe manifesta descontentamento com as verbas direcionadas ao setor.

O Edital 369/2021 - Culturas Remotas (leia mais ao lado) é dividido em 19 eventos e cada artista pode se inscrever com até três propostas, desde que cada uma delas seja para categorias diferentes. O valor para projetos individuais é de R$ 1 mil, com exceção dos eventos Início do Verão - Arte na rua e Intervenções Urbanas, cuja remuneração é de R$ 1.458,00. Para propostas que contemplem mais de duas pessoas, a comissão fica em R$ 2,5 mil. O valor total destinado a este edital é de R$ 219.182,00.

A manifestação contou com representantes da literatura, artes visuais, música, artes cênicas, hip hop e outros. Presidente da Associação de Teatro de Bauru e Região (ATB) e um dos organizadores do ato, Márcio Pimentel, de 58 anos, diz que a cultura na cidade está "hibernando". "Esse edital não supre as necessidades das categorias diante da pandemia. As quantias são irrisórias e estão fora da realidade", critica Pimentel, complementando que os valores propostos não são suficientes para arcar com despesas básicas dos artistas, como aluguel, mercado e combustível.

Já a artesã Greice dos Santos Luiz, de 35 anos, considera o ato de extrema importância e, apesar de estar trabalhando no mesmo local da concentração, fez questão de demonstrar seu apoio. "A partir do momento que temos editais, mas não temos acessos a valores que garantem a continuidade dos nossos projetos, isso é uma perda. Esse protesto é uma forma de dizer às pessoas que estamos em luta para que nossa arte seja valorizada", completa.

'ENGESSADO' E CUSTOS

Maior regularidade de publicações de editais e melhores remunerações são algumas das demandas da classe artística. Ronaldo Gifalli, de 62 anos, porém, vai além ao dizer que muitos não se encaixarão no certame publicado. "Demorou tanto para produzir um edital que não abarca as linguagens, não favorece a criatividade e nem a espontaneidade", afirma.

Além disso, ele levantou a questão da produção dos materiais que devem ser entregues. "Temos que gravar os vídeos e fazer toda a produção. Acaba ficando no amadorismo", reclama. Participante do manifesto, o ator Thalles de Souza, de 26 anos, concorda. "O valor, que já é pífio, ainda precisa ser dividido com organização e pagamento de outros profissionais. O que sobra pra gente é muito pouco", complementa.

De acordo com o texto do edital, todas as despesas para a realização dos trabalhos é de responsabilidade do artista. Os valores recebidos ainda terão retenção de impostos. Dentro das formas de participação, estão a gravação em vídeo, o ao vivo de forma remota e intervenções com gravação.

Para tanto, a qualidade dos vídeos deve ser em alta resolução e o áudio deve apresentar boa qualidade.

OUTRO LADO

Em nota, a Secretaria de Cultura disse que "respeita democraticamente atos pacíficos e destaca que sempre esteve aberta ao diálogo com a classe artística de Bauru".

Ainda no comunicado, a pasta ressalta o edital de fomento aberto e fala sobre a verba destinada, além de prometer outras ações. "Os recursos contingenciados, cabe destacar, foram de eventos que não aconteceram neste ano, por conta da pandemia. O dinheiro foi usado para garantir a assistência dos bauruenses, inclusive com a criação de leitos de UTI".

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