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Cão resgatado vira mascote em lar de idosos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Um cão resgatado por protetores e adotado por um residencial geriátrico em Bauru tem ajudado idosos a enfrentarem a solidão e até a encararem de forma mais leve a depressão e outras doenças. Aton é um dogue alemão de aproximadamente 3 anos e quase um metro (altura com as quatro patas no chão), que virou uma espécie de "terapeuta animal" do local ao esbanjar paciência, doçura e companheirismo com os cerca de 20 residentes.

A história de Aton, no entanto, nem sempre foi alegre. Deixado pelos antigos donos após mudanças, ele foi resgatado por protetores independentes há aproximadamente dois anos, com sinais de desnutrição.

E esta não foi a única experiência amarga que o cão teve no passado. A busca por um lar que o acolhesse de forma definitiva também foi árdua, já que os adotantes optam, geralmente, por animais pequenos. Encontrar um tutor disposto e com condições, de espaço físico em casa e até financeira, para acolher o "gigante", que se alimenta com quase 20 quilos de ração por semana, parecia um missão impossível.

Até que, em abril de 2020, a enfermeira Tatiana Kuchiner Janovsky, 43 anos, soube das condições de Aton e resolveu adotá-lo como mascote do residencial geriátrico em que mora e atua como responsável técnica.

"Ele chegou com medo, assustado e com as costelas aparecendo, mas logo foi ganhando confiança e entendendo que este seria o lar dele. Hoje, ele 'adotou' os idosos. Virou um cão defensor. Se chega alguém diferente querendo relar nos idosos acamados, por exemplo, ele late e avisa. É muito inteligente", comenta.

Além dos 20 idosos, Aton ganhou duas irmãs, a poodle Flor, que também ajuda na "terapia animal", e a vira-lata Maya, que é mais agitada. O residencial fica em uma chácara na rodovia Cezário José de Castilho (SP-321).

INTERAÇÃO

Atualmente, o animal atende com atenção e carinho a todos no lar. Basta algum dos idosos esticar as mãos para que Aton rapidamente se aconchegue para um afago.

"Eles (idosos) abraçam, dão petiscos e pedem a patinha para o Aton", comenta Tatiana. "Às vezes, alguns ficam sem interagir com ninguém o dia todo, mas, com o Aton e a Flor, eles demonstram afeto", completa a enfermeira.

Aos 90 anos, Maria Chechi, que tem Alzheimer, é uma das amigas que o cão fez no residencial. "Eu já tive um cachorrinho, mas não era grande assim", comenta a idosa, acariciando o animal.

Anésia Pavan, 83 anos, além de exercitar a memória, gosta de brincar com Aton. "Em casa, eu tinha o Bilu, cuidava dele como uma criança. O Aton é carinhoso como ele era, dá a patinha, é um amorzinho. Não tem nem como ficar mal humorada quando ele está por perto".

Paulo Bastos, de 69 anos, é um dos mais apaixonados pelo dogue alemão. "Ele é grandão, é como um cão de guarda. Me sinto seguro quando ele está por aqui. Se chega alguém, ele sempre nos avisa", comenta o idoso, acariciando o animal, que até fechava os olhos durante o afago.

"Temos uma outra senhora com Alzheimer que, quando está em crise chora bastante, mas é só o Aton chegar perto que ela melhora. É muito positivo e visível o benefício que o convívio com os animais proporciona, especialmente quando são pacientes e amorosos como o Aton", finaliza Tatiana.

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