Bauru - Considerando sua experiência de ter sido ministro da Saúde no governo do ex-presidente Lula, o deputado federal Alexandre Padilha (PT), que também é médico infectologista, se diz indignado com a política implantada pelo governo de Jair Bolsonaro (PT) no combate à pandemia. Para a crítica, feita em recente viagem a Bauru, leva em conta a experiência, em sua opinião, bem-sucedida do Brasil no controle do vírus H1N1 (Influenza), que foi a situação mais próxima da pandemia do coronavírus vivida atualmente.
O deputado é coordenador da comissão parlamentar que analisa os impactos da pandemia da Covid-19 e autor da lei que garante indenização para profissionais da saúde das três esferas de governo que tenham contraído a Covid-19 e para seus filhos, em caso de morte dos profissionais. A lei chegou a ser vetada pelo presidente, mas foi sancionada em março deste ano.
COMPARAÇÃO COM H1N1
"A gente fica indignado de ver como o Brasil enfrentou o H1N1, o Brasil liderou a campanha de vacinação no mundo. Na época, a vacina mais rápida que a gente podia ter era do Instituto Butantan, que era de um estado governado por um partido de oposição ao Governo Federal, mas nosso governo nunca colocou a disputa partidária à frente do controle da pandemia e da produção da vacina", afirmou.
Caso estivesse à frente do Ministério da Saúde, diz que tomado decisões contrários a do atual governo contra a pandemia. "Primeira coisa seria respeitar a ciência, deixar de lado qualquer disputa partidária. Não teria interrompido os investimentos em ciência e tecnologia. Não jogaríamos na lata do lixo todo potencial que o país tinha para responder à pandemia", garantiu.
De acordo com Padilha, no início da pandemia o Brasil era considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o país que poderia ter uma resposta positiva no controle da doença, por conta do histórico da resposta anterior que deu ao influenza. "Tínhamos um potencial de resposta que infelizmente foi bloqueado pelo governo Bolsonaro, então o Brasil hoje é considerado por vários institutos independentes como a pior resposta na pandemia".
CPI E MORTES
Para ele, é positivo o trabalho que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), vem realizando na apuração que faz sobre a condução do enfrentamento da pandemia pelo Governo Federal. "A CPI tem um trabalho que ela já cumpriu que é apresentar provas e evidências de que o Governo Federal não quis controlar a pandemia".
O deputado previu no inicio deste ano que o Brasil teria 500 mil mortes por Covid-19 em dezembro, o que ocorreu seis meses antes. Sobre isso, ele reforça a importância da vacinação. "Até 7 de janeiro de 2021 tinham morrido 200 mil pessoas, entre janeiro e julho morreram mais de 500 mil pessoas, ou seja, uma vez e meia a mais neste período do que no ano passado inteiro, e a maior parte das mortes poderiam ser evitadas se o Brasil tivesse começado o programa de vacinação em dezembro, e se tivessem feito como contra a H1N1, quando foram vacinadas 88 milhões de pessoas em três meses".
EXPERIÊNCIA MÉDICA
Como médico, o deputado afirma que as mutações do vírus SARS-CoV, que causa a Covid-19 são inevitáveis pela própria dinâmica do vírus, mas também pela falha na proteção através da vacina. "O risco é surgir uma variante imune às vacinas. Por isso temos que discutir, entre o fim deste ano e começo de 2022, se teremos que ter a terceira dose de reforço".
Para o deputado, ao menos idosos e trabalhadores de diversos setores terão que ser novamente vacinados. "Por isso o governo não pode negar nenhuma vacina que tenha qualidade comprovada, porque é muito provável que a gente tenha que repetir doses em boa parte da população".
A respeito das eleições presidenciais do ano que vem, Padilha aposta que a disputa deve ser polarizada entre o presidente Bolsonaro e o ex-presidente Lula. "A dificuldade da terceira via é que os candidatos não representam um projeto alternativo. O projeto alternativo vai surgir de uma frente progressista liderada pelo presidente Lula. As pessoas querem uma alternativa à fome e à falta de emprego", avalia.