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Seca faz 2021 'liderar' fogo em mato e bombeiros se desdobram para atender

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

As ocorrências de fogo em mato atendidas pelo Corpo de Bombeiros em Bauru dispararam em 2021, principalmente na estiagem. Para se ter uma ideia, de janeiro a julho deste ano, foram 1.045 registros. Dados dos últimos cinco anos fornecidos pela corporação mostram que esse montante supera todos os outros anos, comparando os primeiros sete meses (veja mais no quadro ao lado). Tamanha demanda representa um desafio aos bombeiros, que precisam avaliar a gravidade das muitas solicitações simultâneas e organizar os atendimentos por ordem de prioridade. Reforçadas, as equipes rodam o dia inteiro combatendo as chamas em vegetação e sequer conseguem retornar ao quartel entre os chamados.

A média mensal de ocorrências de fogo em mato em 2021 é de 150 casos. Mas, os meses secos concentram o maior número de casos. Julho, por exemplo, teve 202 registros. Para suportar o 'boom' na estiagem, a corporação, todo ano, conta com uma equipe de três bombeiros a mais exclusivos para atuar nas ocorrências de fogo em vegetação.

"Nessa época, as equipes já saem com o caminhão de manhã com a perspectiva de não voltar ao quartel. Passam todo o período de trabalho fora, de 12 horas, por conta da quantidade de ocorrências", detalha o primeiro-tenente Vinícius Alexandre Burin, comandante dos Postos do Corpo de Bombeiros de Bauru.

E, junto com esse aumento de fogo em mata, a corporação segue atendendo a diversas outras demandas rotineiras. "As ocorrências de Bauru e das 15 cidades atendidas por nós não 'param' por causa do fogo em mato. Ainda tem motoqueiro caindo, acidentes, gestante entrando em trabalho de parto, trabalhador que caiu do telhado, bebê engasgado, afogado, salvamento de animais, outros incêndios… a gente tende, então, a priorizar aquelas que oferecem risco à vida. Não dá para atender todas ao mesmo tempo", explica.

TEMPO DE RESPOSTA

Em meio a esse contexto, o oficial relata que o grande esforço despendido para combater chamas em vegetação acaba ampliando o tempo de resposta a outros casos. "Se tem um acidente com pessoa presa em ferragens e não há outra viatura para remanejar, a equipe que está em um fogo em mato vai precisar parar e ir socorrer essa vítima. Mas, como a equipe não está saindo do quartel, que é o local estratégico para se deslocar, acaba atrasando esse deslocamento. Agora, pergunte para uma pessoa que está presa nas ferragens qual a sensação de ficar esperando, mesmo que seja por um minuto a mais".

Mesmo assim, Burin destaca que os moradores que acionam a corporação não ficam sem retorno. "Se as viaturas estão todas empenhadas, ligamos para o solicitante para monitorar a situação que o incêndio está, observar se oferece risco à vida. Assim, conseguimos priorizar e também dar uma resposta para quem ligou", diz.

'DEMANDA CRIADA'

A crescente onda de fogo em mato, que gera todo essa concentração de esforços e prejuízos, é fruto, na maioria das vezes, do próprio comportamento irresponsável da população. É o que os bombeiros chamam de 'demandas criadas', aquelas causadas direta ou indiretamente pelo homem.

Geralmente, segundo o comandante, as pessoas querem 'limpar' alguma área ou terreno com fogo e não conseguem controlar as chamas que se espalham, já que o mato e o ar ficam muito secos nesta época do ano. Ou, então, atiram bitucas de cigarro perto de vegetação. "Assim, colocam residências, veículos e até pessoas ao redor em risco. Não somente pelo fogo, mas pela fumaça, que afeta quem está nas casas próximas. Pode ser um idoso, uma criança, um acamado que tem problemas respiratórios. Essas pessoas não têm como fugir da fumaça. É cruel", alerta.

Existe o risco, ainda, de as chamas atingirem montes de lixo. "Se é um pneu queimando, por exemplo, precisamos de muita água para apagar. Ou seja, além da seca, do ar poluído e da fumaça, também temos que gastar água, que já está em falta, para conter algo que poderia ter sido evitado. É difícil apontar um lugar que não pegue fogo na cidade. Bauru está acesa", completa Vinícius Burin.

Por conta de tudo isso, o Corpo de Bombeiros faz questão de lembrar que atear fogo em mato é crime e, se o autor for flagrado, pode ser multado e até mesmo preso.

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