O Mineirão foi reprovado no teste da volta do público na partida de Atlético-MG 3 x 0 River Plate, pelas quartas de final da Libertadores, na quarta-feira (18). Quem fez essa avaliação foi o prefeito de Belo Horizonte e ex-presidente do clube, Alexandre Kalil, responsável em autorizar a presença de torcedores no estádio depois de mais de um ano vazio por causa da pandemia da Covid-19. Kalil não gostou do que viu na imediações do campo. E deixou claro que pode mudar de ideia e voltar a trancar os portões do Mineirão, onde também joga o Cruzeiro pela Série B do Campeonato Brasileiro.
"Esse jogo do Galo era um evento-teste, conforme acordado com o Mineirão e com a diretoria do Atlético. E não passou no teste. As cenas que vi ontem me deixaram horrorizado. Eu não tenho nenhum receio de voltar atrás e fechar tudo de novo", disse Kalil, referindo-se à aglomeração na entrada e saída do torcedor mineiro.
A administração do estádio registrou público de 17.030 pessoas e uma renda de R$ 2.685.042,00. O preço médio do ingresso foi de R$ 157,66. O torcedor estava ansioso pela volta ao futebol e não mudou nada de como era antes. Bebeu, comeu e festejou na parte de fora do Mineirão, enquanto esperava pelo início da partida.
De acordo com a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), as cidades-sede dos jogos da Libertadores e Sul-Americana têm a prerrogativa de liberar a presença de público para os confrontos que ela organiza. Foi feito um acordo com a CBF e com as secretárias de saúde. O Flamengo também teve 11 mil torcedores na partida contra o Olimpia, no Estádio Mané Garrincha.
O prefeito de Belo Horizonte foi além em suas declarações. "Essas cenas de aglomeração não vão acontecer de novo. A gente quer que tudo volte ao normal, mas as pessoas precisam contribuir. Ter juízo. Como foi nesta quarta, não vai acontecer de novo." Com o resultado, o Atlético chegou à semifinal da Libertadores. Vai enfrentar agora o Palmeiras, em partidas de ida e volta no próximo mês. O time também lidera o Brasileirão. Seu torcedor está empolgado.
"Do jeito que está não vai ter, não. Primeiro, foi bom o resultado, todo mundo sabe, nunca escondi meu coração atleticano para ninguém (Kalil é ex-presidente do Atlético-MG), mas quando eu vi aquela cena no Mineirão eu desesperei, ontem (quarta) mesmo entrei em contato com o secretário de Saúde (Jackson Machado)", disse Kalil.
"A população tem de entender, a gente quer melhorar, quer ajudar, fazer tudo para melhorar para compensar tudo o que todo mundo passou, mas quem pode colaborar não colabora. Estão enganados quem acha que 'é o Atlético, ele não vai fazer'. Não vai fazer, uma ova. Fizeram um desaforo e um desrespeito ao prefeito de Belo Horizonte."