São Paulo - A deputada estadual paulista Isa Penna (PSOL) entrou com uma representação no Ministério Público do Estado para tentar impedir o também deputado Fernando Cury (Cidadania), afastado do cargo por importuná-la sexualmente no plenário da Assembleia Legislativa, de assumir uma cadeira no Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo (Condeca-SP).
O Condeca-SP é um colegiado consultivo composto por 40 conselheiros, todos eleitos pela sociedade civil, que participam da elaboração das políticas públicas de atendimento à criança e ao adolescente em colaboração com o governo estadual. A eleição de Cury ocorreu no último domingo (15) para um mandato de dois anos, entre 2021 e 2023.
No ofício encaminhado ao procurador geral da Justiça do Estado, Mário Sarrubbo, Isa Penna afirma que a conduta do deputado é 'incompatível' com a função e 'inconciliável' com o papel da entidade.
Fernando Cury responde a uma ação penal pela importunação sexual contra a colega. Ele nega o crime e diz que deu 'abraço' na deputada como gesto de 'gentileza'. Ele foi afastado da Assembleia.
FERNANDO CURY REFUTA
Em nota à imprensa, a assessoria do deputado afastado Fernando Cury defende o seu mandato e diz que sua atuação é aprovada no Condeca-SP e a sociedade civil reconhece seu trabalho.
'Ele foi reeleito para ocupar uma das 10 cadeiras, representando novamente a sociedade civil e exercerá agora seu quarto mandato dentro do conselho (sendo 2 representando anteriormente o Poder Público e 2 representando a Sociedade Civil). Além disso, Cury é presidente do Conselho, escolhido e eleito pelos seus pares da sociedade civil", diz a nota.
Também lembra que "foi eleito no último domingo (15) de forma democrática e exercerá novamente a função de conselheiro. É importante ressaltar que esta eleição nada tem a ver com o mandato de deputado".