Não se atreva a fazer qualquer crítica às performances de Deivid Silva nas ondas se, ao seu lado, dona Laudelina, de 74 anos, estiver acompanhando as manobras do neto em alguma competição. Tamanha ousadia pode custar uma resposta atravessada. Quem faz a observação é o não menos coruja Clayton Silva, de 48 anos, pai do brasileiro que, no fim de semana retrasado, ficou a dois centésimos do primeiro lugar na etapa do México do Circuito Mundial de Surfe.
"Ela (dona Laudelina) acompanha tudo o que ele faz na televisão. E não pense que fica só na torcida. A mamãe geralmente sabe quando o Deivid vai bem ou mal antes mesmo de o juiz dar a nota. A identificação deles é muito grande. O Deivid é o primeiro neto. Aí já viu... Quando ele chega, o seu prato preferido, que é costela com batata, já está servido", disse Clayton.
Até atingir a final, na praia mexicana da Barra de La Cruz, ele deixou pelo caminho nomes como Gabriel Medina, número 1 do ranking, e Ítalo Ferreira, ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Na decisão, o duelo foi com o australiano Jack Robinson. E o título acabou escapando da nova promessa por dois centésimos de diferença.
Nascido e criado na Prainha Branca, no Guarujá, litoral sul de São Paulo, Deivid Silva tem 25 anos e sempre teve o mar como extensão de sua casa. Os horizontes de Deivid começaram a crescer quando, aos 12 anos, veio a conquista do título do Campeonato Paulista Iniciante, em 2008. Seu objetivo é entrar no seleto grupo dos surfistas brasileiros que fazem história pelo mundo, como Ítalo e Medina, e tantos outros da chamada "Brazilian Storm".