Um senhor, dono de escravos, abordou um deles, certo dia, e lhe ordenou que fosse ao mercado e comprasse, para o almoço, o que havia de melhor.
O escravo foi e comprou língua bovina, preparando-a para o almoço do seu amo. Dias depois, seu senhor ordenou-lhe que voltasse ao mercado e lhe trouxesse o que havia de pior, para o seu jantar.
Repetindo a ida ao mercado, o escravo voltou e, também, com outra língua bovina, preparando-a, igualmente.
Diante de tal atitude do escravo, o amo questionou-o como poderia a língua ser o melhor e o pior produto; ao que o escravo inteligente respondeu: meu senhor, a língua pode ser o que há de melhor e o que há de pior. De melhor, quando ela semeia o bem, o amor, a caridade, a humildade, o perdão, as virtudes, enfim. Ela é o que há de pior, quando semeia o vício, o ciúme, a inveja, a ganância, a vingança, a intolerância, o egoísmo, a maledicência, enfim. Tinha razão Esopo!!!
Sim, caros leitores, o escravo, em tela, é Esopo, o Pai da fábula, gênero narrativo que surgiu no Oriente, mas foi particularmente, desenvolvido por Esopo, que foi escravo, antes de ser fabulista.
Esopo viveu no século VI a.C., na Grécia Antiga. Nasceu em Samos, 620 a.C. e morreu em Delfos, em 564 a.C.
Esopo inventou histórias em que os animais eram os personagens, e dizia que o objetivo das suas fábulas era "educar" os homens de sua época.
Alguns biógrafos dizem que Esopo era, excepcionalmente, inteligente e culto, e ao obter a liberdade teria viajado pela Grécia, Egito e Ásia, coletando e contando histórias de homens e animais.
Foi fabulista, mitógrafo e filósofo. Apresentava-se como indivíduo feio, corcunda e gago.
Sua obra atrai leitores jovens e adultos, por sua profundidade.
Seus personagens, quase sempre animais, vivem histórias e confrontos humanos.
Quem não conhece as histórias da lebre e da tartaruga? Do velho, da criança e do burro? Ou, então, do pastorzinho mentiroso que, de tanto dar falsos alarmes, acabou ficando sem suas ovelhas?
Além destas, a raposa e a cegonha, a cigarra e a formiga, o leão e o ratinho? E muitas outras.
Qualquer semelhança com a língua humana, é mera coincidência.