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Problemas com matemática podem ser discalculia e devem ser acompanhados

Constanca Tatsch
| Tempo de leitura: 2 min

Seu filho tem dificuldade nas aulas de matemática? Muitas vezes ela é pontual e pode ser superada com um reforço ou mudança de metodologia. Mas se for algo persistente, é preciso considerar a possibilidade da discalculia, um transtorno de aprendizagem ligado especificamente à disciplina. A discalculia é um transtorno de neurodesenvolvimento: a pessoa nasce com essa dificuldade em compreender e interpretar números, sequências numéricas e símbolos da matemática.

O transtorno é como um primo da dislexia, que é mais relacionada à leitura. Muitas vezes, mas não sempre, os dois vêm juntos. "É importante informar que as crianças portadoras desse transtorno têm inteligência normal ou até acima da média, da mesma forma que os disléxicos, não há rebaixamento intelectual. A dificuldade é específica no cálculo da matemática e em lidar com os números. Isso tem a ver com a formação de circuitos cerebrais, uma desordem no caminho das conexões", afirma Gesika Amorim, pediatra especialista em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental.

Acredita-se que até 5% da população sofram com algum grau de discalculia, que pode ser mais leve ou mais severa. Os primeiros sinais surgem no ensino fundamental, aos 6, 7 anos, mas em alguns casos aparece antes, aos 5 anos. No ensino médio, o transtorno já deve estar identificado. Geralmente a escola é a primeira a observar o problema. No entanto, é importante que os pais também fiquem atentos. Não basta saber contar até dez, isso pode ser decorado, é preciso compreender que dez equivale a dez palitinhos sobre a mesa, por exemplo, relacionando quantidades com números, assim como conceitos de mais ou maior.

Uma vez identificada, a criança com discalculia precisa de atendimento de uma equipe multidisciplinar de psicopedagogo, neuropsicólogo e até o fonoaudiólogo, como explica a professora Marta Relvas, autora do livro "Neurociência e os Transtornos da Aprendizagem", publicado pela Wak Editora.

"A discalculia precisa de acompanhamento por profissionais, que com treinamento, como exercícios e atividades de estimulação cognitiva, conseguem ajudar o cérebro a criar "rotas alternativas" para o transtorno. Com isso, a pessoa pode viver normalmente e, no futuro, ser bem colocada no mercado de trabalho", afirma Relvas.

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