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O baixo nível do ensino no Brasil

Edson de Oliveira
| Tempo de leitura: 3 min

Na edição deste jornal do dia 21 de agosto, na página 4, lemos com muito pesar e profunda preocupação, a informação de que a Prefeitura de Bauru, por meio da Secretaria Municipal de Educação, recebeu 530 exemplares do livro "Abre a boca e feche os olhos!", que serão distribuídos em todas as escolas do sistema municipal de ensino. A ação cultural é fruto do trabalho realizado pela Cia. Camarim, como contrapartida da Lei Aldir Blanc de apoio à cultura e conta com o suporte da Prefeitura de Bauru, Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

O momento da chegada dos livros, que serão encaminhados às escolas, teve a presença da Secretária da Educação, Maria do Carmo Kobayashi, juntamente com a equipe do Departamento de Projetos e Pesquisas Educacionais. Pois bem, pouco ou nada se deve esperar de uma obra aprovada pelas instituições e pessoas citadas - não me refiro ao assunto contido e sim ao uso correto das formas verbais - que presumivelmente deveriam ter um pouco, não vou dizer muito, que seria exigir demais, de conhecimento do idioma Português, já que estão diretamente envolvidos nessa área.

Por que essas afirmações? Porque o livro não precisa ser aberto para que se tenha uma ideia de seu conteúdo, uma vez que já estampa na capa o seu título com um primário, lamentável, inaceitável e imperdoável erro de português, levando-se em conta a finalidade do livro e por quem ele será usado. Desconhecem que na Linguagem Formal deve-se manter a uniformidade de tratamento, isto é, se iniciarmos um texto tratando o interlocutor pelo pronome pessoal reto tu, (segunda pessoa do singular) devemos manter o tratamento na segunda pessoa (te, ti, tua, contigo, etc.) até o final. Caso iniciemos o texto tratando o interlocutor por um pronome de tratamento (Você, Vossa Senhoria, Vossa Excelência), devemos manter o tratamento na terceira pessoa até o final. Isso não ocorreu no título do livro, o que nos leva a crer que o mesmo ocorre no interior dele.

Isso evidencia de modo claro e insofismável o atual nível de ensino que temos no Brasil, uma vez que nem as autoridades envolvidas no assunto, que deveriam dominar as regras, estão devidamente esclarecidas sobre as mesmas. Esse lamentável e reprovável fato sob todos os pontos de vista culturais, mostram, com bastante nitidez, que nem as autoridades, ou que como tal se consideram, envolvidas no assunto, têm o necessário conhecimento para ocuparem os cargos que ocupam e que exigem um mínimo de conhecimento do idioma pátrio.

Diante dos fatos, torna-se fácil perceber que o ensino no Brasil caminha a passos largos rumo ao abismo, uma vez que o professor aprende errado, consequentemente ensina errado, o aluno se torna professor e o ciclo da ignorância e da decadência cultural se fecha e se perpetua nos tempos. Qualquer estudante do ensino médio tem a obrigação de dominar as conjugações verbais, o que infelizmente não acontece, por culpa de professores incapazes, despreparados, que nada mais fazem do que transmitirem aquilo que aprenderam. Quem deu esse título ao livro, quem aprovou esse título e quem aprovou a compra e a distribuição do livro evidenciam total desconhecimento do Presente do Indicativo, do Presente do Subjuntivo e da formação do Imperativo Afirmativo, no caso atual, dos verbos abrir e fechar.

É profundamente lamentável e reprovável que isso aconteça, principalmente por envolver profissionais diretamente ligados à área, justamente aqueles que deveriam dominá-la.

O autor é professor, colaborador de Opinião.

 

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