Regional

Prefeitura: hidrovia para na sexta

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Pederneiras - As operações no Porto Intermodal de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), via Hidrovia Tietê-Paraná, serão paralisadas na próxima sexta-feira (27). A informação foi divulgada nesta quarta (25) pela prefeitura, que também revela ocorrência de demissões no setor. Por meio de nota, o Departamento Hidroviário (DH) afirma que "segue trabalhando com redução gradativa de calados no rio Tietê para evitar paralisação e, assim, permitir o escoamento dos grãos".

Segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano de Pederneiras, Paulo Fernando Sampaio Galvão Filho, a empresa de logística que dá suporte à operação de três empresas do ramo alimentício no Porto Intermodal para transbordo de grãos até o Porto de Santos anunciou que suspenderá as atividades no dia 27.

"Existe um gargalo da hidrovia em Nova Avanhandava. Eles fazem, durante período de estiagem, operações 'em ondas'. Quando a onda sai, a barcaça consegue calado para passar. Além disso, eles têm que trafegar com a carga reduzida. Única e exclusivamente, a decisão (de não passar) é das empresas", explica.

"Elas param porque não é economicamente viável que elas continuem transportando com essa redução de carga e com a redução de tráfego também, por conta da operação 'em ondas'". De acordo com o secretário, a estiagem também está impactando os postos de trabalho e há relatos de demissões no município.

Ele, contudo, não soube precisar quantos funcionários já perderam seu emprego em razão da redução no transporte de carga no porto. "São mais de 500 colaboradores dessas empresas que trabalham diretamente com a hidrovia quando ela está em pleno funcionamento. Mas não tem jeito de evitar demissões", diz.

Para Galvão Filho, a solução para evitar que a hidrovia fique inoperante em determinados períodos do ano passa pela execução de obras em Nova Avanhandava e por investimentos em um plano de engenharia que equacione a preocupação com a geração de energia sem deixar de lado a questão da navegabilidade.

"A hidrovia vai parar. Não tem como não parar. Mas a única coisa que a gente pede é para que sejam feitos estudos por parte da engenharia da hidrelétrica para, justamente, a gente ter um poder de recuperação um pouco mais rápido", declara.

ALERTA

Em nota, o Departamento Hidroviário (DH) disse que recebeu alerta do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) informando que a Hidrovia Tietê-Paraná poderá ser paralisada devido à estiagem. "O DH segue trabalhando com redução gradativa de calados no rio Tietê para evitar paralisação e, assim, permitir escoamento dos grãos", afirma.

"Atualmente, a Hidrovia tem 4 comboios operando, de um total de 24 (que funcionava de janeiro a maio deste ano). No ano passado, de janeiro a maio, eram 14 comboios. O problema afeta diretamente o transporte da produção agrícola do Brasil".

A Secretaria de Logística e Transportes, pasta a que o DH está vinculado, defende a mudança da matriz energética do país para diminuir a dependência das hidroelétricas. "A Secretaria acredita que tem faltado uma ação mais firme de planejamento para atenuar o problema, que é recorrente e vem se agravando em períodos mais recentes", pontua.

AÇÕES

De acordo com o DH, o Governo de São Paulo está investindo na hidrovia com objetivo de ampliar os canais de navegação e dar mais agilidade no transporte de cargas. "Estão em conclusão, por exemplo, obras para implantação do canal de montante da eclusa de Ibitinga, com investimento de quase R$ 10 milhões, obras de desassoreamento e derrocamento desde fevereiro deste ano, além da ampliação de vãos de pontes, manutenção e implantação da sinalização náutica, o que promove a segurança da navegação fluvial", diz.

No último dia 18, durante visita a Pederneiras, o secretário estadual de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto, anunciou investimentos de R$ 18 milhões na modernização de duas vicinais de Pederneiras - a Antônio Florêncio Pereira, que dá acesso ao Distrito de Santelmo, e a João dos Santos, do trevo do Recanto Paturis até o Distrito de Vangloria - com o intuito de facilitar o escoamento de grãos da região de Bauru para o Porto de Santos, tanto através da hidrovia quanto por meio da ferrovia.

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