Brasília - A Pfizer e a BioNTech anunciaram nesta quinta-feira (26) a assinatura de uma carta de intenção com a farmacêutica brasileira Eurofarma para a produção da vacina contra a Covid-19 no Brasil. Segundo comunicado das empresas, os procedimentos de transferência de tecnologia, desenvolvimento no local e instalação de equipamentos começarão "imediatamente", com início da fabricação em 2022.
A empresa brasileira será responsável pela produção e distribuição do imunizante (chamado Comirnaty) para a América Latina. A estimativa é de entrega de mais de 100 milhões de doses anualmente.
O produto é uma das quatro vacinas contra o coronavírus autorizadas para aplicação no Brasil, sendo o único até o momento liberado para adolescentes de 12 a 17 anos.
A Eurofarma receberá os insumos dos Estados Unidos. O acordo faz parte da expansão da fabricação da Comirnaty em diferentes regiões globais, com a inclusão de "dezenas de parceiros".
De acordo com as empresas, mais de 1,3 bilhão de doses da vacina foram entregues neste ano. O montante deve chegar a 3 bilhões até o fim de dezembro.
MINISTRO
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, atribuiu a decisão da Pfizer de produzir sua vacina contra covid-19 em parceria com a BioNTech no Brasil ao caráter "liberal" do governo, que, segundo ele, quer deixar a iniciativa privada "trabalhar".
"Por que a Pfizer vir pro Brasil? Porque é inteligente e sabe que nesse país tem governo liberal, governo que respeita a legislação e quer participar de áreas fundamentais, como saúde e educação", declarou.
CPI
"A Eurofarma vai terminar o processo de fabricação de nossa vacina", esclareceu o gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, que teceu elogios ao "trabalho e esforço" do governo federal. No entanto, quando depôs à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, Murillo confirmou que o ministério da Saúde ignorou negociações da vacina por três meses. "O acordo permitirá acesso justo à vacina à população do Brasil e América Latina", acrescentou o executivo.