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'Eu levo a carequinha de boa, mas esse cabelo me deixou linda, né?'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

A estudante Nicole Cassemiro tem apenas 16 anos, mas já enfrenta o segundo ciclo de quimioterapia. A garota, que vive em Macatuba, trata um câncer de pulmão no Hospital Estadual de Bauru (HEB), onde, nesta última semana, ganhou uma peruca da ONG Cabelegria. "Eu levo a carequinha de boa, mas esse cabelo me deixou linda, né?", brinca. O Banco de Perucas Móvel, projeto vinculado à entidade, ficou quatro dias em Bauru.

A paciente esbanja autoestima e bom humor, mas não esconde a timidez diante das câmeras. Esse sentimento, porém, deu lugar à empolgação tão logo ela escolheu o seu cabelo novo. Mãe de Nicole, a comerciante Elisete Aparecida Campagneri, de 51 anos, se contagiou com a alegria da filha. "Hoje foi um dia realmente especial para nós".

Outra paciente do Estadual que ganhou o dia foi a aposentada Sirlei Lopez, de 70 anos. Ela trata um tumor no intestino desde dezembro de 2020. A quimioterapia provocou a queda total do seu cabelo. "Eu procurei encarar com tranquilidade", conta.

Na última segunda (23), a bauruense entrou no Banco de Perucas Móvel da ONG Cabelegria e passou alguns minutos diante do espelho, escolhendo o modelo e o tom de cabelo que melhor combinaria com ela. Ela optou por um corte médio com fios de luzes para iluminar o rosto. "O tratamento está caminhando bem e, com o cabelo novo, eu me sinto ainda melhor".

Supervisora do Serviço de Psicologia do HEB, Andréia Barbosa de Lima reforça que o cabelo tem um significado especial para as mulheres. "Ele está diretamente relacionado à feminilidade e, por conta de alguma doença, muitas vezes, pode cair, interferindo na autoestima das pacientes e, até mesmo, no andamento do tratamento".

Justamente entendendo essa importância, a fisioterapeuta Maria Clara Cardoso, de 21 anos, doou 80 centímetros do seu cabelo ao projeto. "Eu sempre tive o cabelo grande e até chorei na hora de cortar, mas, ao mesmo tempo, me senti aliviada por ajudar alguém", acrescenta.

CABELEGRIA

Uma das idealizadoras da ONG Cabelegria, Mariana Robrahn afirma que a entidade foi fundada em 2013, em São Paulo. "Eu e a Mylene [Duarte] decidimos doar os nossos cabelos e estimular os nossos conhecidos a fazer o mesmo. Em pouco tempo, nós conseguimos a adesão de 1 mil pessoas, mas não encontramos qualquer lugar que confeccionasse as perucas. Resolvemos, então, produzir esses itens e entregar a quem precisava".

No início, a ONG destinava perucas apenas para as crianças em virtude do baixo fluxo de cabelos. "Em 2015, nós expandimos para as mulheres oncológicas. No ano seguinte, abrimos o nosso atelier de costura e contratamos uma costureira para trabalhar conosco integralmente".

A entidade também desenvolve o Banco de Perucas Móvel, que percorre cidades paulistas doando e recebendo cabelo. "Os pacientes entram, experimentam quantas quiserem e escolhem as que mais gostarem".

Além disso, a ONG envia perucas pelos Correios e não cobra nem o frete dos interessados. Para saber mais: http://www.cabelegria.org.

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